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Réu em sete processos originados em diversas operações do Ministério Público estadual e do Ministério Público Federal, o ex-governador Beto Richa (PSDB) recebeu, ontem, em seu apartamento, no bairro do Mossunguê, em Curitiba, prefeitos e vereadores do interior. O encontro foi registrado nas redes sociais pelo prefeito de Laranjeiras do Sul, Berto Silva (PSC). Segundo o blog Contraponto, do jornalista Celso Nascimento, o tucano teria dito aos visitantes que pretende retornar à política em breve.

O anúncio ocorre pouco mais de um mês depois da Executiva Nacional do PSDB, partido do ex-governador paranaense, rejeitar dois pedidos de expulsão do deputado federal Aécio Neves (MG), em uma decisão que beneficiou também a Richa. O resultado representou uma derrota para o governador de São Paulo, João Dória. Pré-candidato à presidência da República para 2022, Dória defendia uma “faxina ética” no PSDB como forma de livrar o partido de lideranças acusadas de corrupção.

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Beto Richa também tem pedidos de expulsão do partido contra ele, em virtude dos processos que responde acusado de corrupção, O tucano responde, por exemplo, por crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e fraude à licitação referentes a uma PPP (Parceria Público-Privada) para duplicação da rodovia PR-323, investigado no âmbito da Operação Piloto, fase Lava Jato, na 23ª Vara Federal de Curitiba. Ele é acusado de ter recebido R$ 7,5 milhões em propinas da Odebrecht.

O tucano também é alvo de processos no âmbito da operação Integração, do MPF, que investiga um esquema de pagamento de propina a políticos e agentes públicos por concessionárias do pedágio, em troca do aumento de tarifas e cancelamento de obras. E na operação Quadro Negro, do Ministério Público estadual, onde é acusado de receber dinheiro desviado de obras de reformas e construção de escolas. Além da operação Rádio Patrulha, que investiga um esquema de fraude em licitações do programa “Patrulha do Campo”, para fornecimento de máquinas para obras em estradas rurais. Preso três vezes desde setembro de 2018, em virtude dessas operações, e sob a acusação de tentar obstruir a Justiça, o tucano sempre negou todas as acusações.

Depois de oito anos no comando do governo do Estado, Richa não conseguiu se eleger senador, no ano passado. Ele ficou em sexto lugar, com 377.872 votos válidos. Atribuiu a derrota à prisão às vésperas da eleição do ano passado, na operação Rádio Patrulha. Até o início do ano, ele ainda ocupava o cargo de presidente do PSDB paranaense. Licenciou-se do posto, e foi substituído no último dia 6 de maio pelo deputado estadual Paulo Litro. A direção regional do partido nunca promoveu qualquer ação para avaliar as acusações contra o ex-governador. A alegação dos caciques da sigla é de que a questão deve ser decidida pela Justiça, e que a legenda não deve tomar nenhuma providência enquanto ele não for julgado.

Portal Guaíra com informações do Bem Paraná