Anderson Silva esperou longos treze meses desde a chocante fratura na perna esquerda em sua última derrota até o tão aguardado retorno ao octógono. O palco era o mesmo da tragédia contra Chris Weidman – o MGM Arena, em Las Vegas, nos Estados Unidos -, mas desta vez, o choro do ídolo foi de alegria extrema.

Na madrugada deste domingo (1), o lutador brasileiro superou o americano Nick Diaz em um duelo nervoso na luta principal do UFC 183. Depois de cinco rounds em que teve seu controle psicológico testado – o abusado Diaz chegou a deitar no octógono para provocar o brasileiro -, Anderson foi claramente superior e venceu por decisão unânime da arbitragem. Aos 39 anos, Anderson Silva agradeceu às pessoas que o ajudaram em sua recuperação e agora já pode sonhar em recuperar o cinturão dos médios, que foi seu durante quase sete anos. “No começo, achei que não fosse voltar. É um momento muito importante para mim, para minha família e para os brasileiros”, afirmou, emocionado, ao fim da luta.

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Nos últimos dias, Anderson repetiu como um mantra que encarava esta luta como se fosse a primeira de sua carreira no UFC. Durante os eventos promocionais, Anderson e Diaz foram bastante respeitosos e trocaram abraços e elogios. No entanto, na hora do embate, o americano, que tem um histórico de confusões e envolvimento com drogas, confirmou sua fama de bad boy e fez de tudo para desestabilizar o brasileiro. Diaz claramente tentou fazer Anderson provar do próprio veneno: abaixou a guarda e abusou dos gestos para provocar o ex-campeão. No primeiro round, a estratégia deu resultado: o brasileiro ficou acanhado diante das gracinhas do rival. Ainda assim, Spider conseguiu conectar alguns golpes e foi ligeiramente superior.

A perna esquerda de Anderson causava grande expectativa: havia dúvidas de que o brasileiro voltasse a chutar sem nenhum tipo de receio. De fato, ele demorou para soltar a perna, mas a partir do segundo round sua confiança cresceu. Com chutes altos, pisões na altura do joelho e vários jabs certeiros, Anderson tomou o controle da luta.

O terceiro round foi o melhor do brasileiro. Após uma sequência de golpes, ele conseguiu cortar o rosto de Diaz, que ainda assim não diminuía o tom das provocações. O americano, então, precisava reagir no quarto round e até conseguiu encaixar uma boa sequência de cotoveladas, mas Anderson se manteve bastante firme e concentrado. No último assalto, Anderson seguiu sendo mais agressivo. Já totalmente solto, distribuiu chutes com ambas as pernas. Diaz não conseguiu reagir e terminou bastante machucado. Ao ouvir a confirmação de sua vitória, o brasileiro se jogou no chão do octógono e chorou de emoção.

Apesar de ter sido ridicularizado em alguns momentos da luta, Anderson entendeu os gestos de Diaz como uma estratégia de jogo. “Foi a luta mais difícil psicologicamente para mim. Nick é o melhor, obrigado pela oportunidade. Ele não é um cara mau, isso aqui é um show, nós somos um show”, afirmou, com a experiência de quem já utilizou do mesmo artifício em diversas lutas.

Os brasileiros Thales Leites e Thiago Pitbull completaram a noite perfeita para os brasileiros em Las Vegas com vitórias convincentes no card principal.

Cinturão

No início do ano, o presidente do UFC, Dana White, afirmou que se Anderson vencesse Diaz, ele disputaria o título dos médios novamente, contra o vencedor do duelo entre o campeão Chris Weidman e Vitor Belfort. No entanto, um contratempo deixou a situação incerta: nesse sábado (31), Weidman anunciou uma lesão e a luta do dia 28 de fevereiro foi cancelada. O UFC ainda não definiu se haverá uma disputa interina pelo cinturão de Weidman nos próximos meses.

Anderson assinou um contrato de mais 14 lutas com o UFC, mas não quis entrar em detalhes sobre seus próximos planos. “Acho que vou continuar lutando”, disse em entrevista ao canal Combate.

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Fonte: Veja Online