A Justiça do Rio de Janeiro acatou um pedido feito pela advogada Maria Lúcia Borges Gomes, que defende a mãe de Eliza Samudio, Sônia de Fátima Moura, e autorizou a venda do sítio do goleiro Bruno Fernandes. O local é onde a ex-amante do jogador teria sido mantida em cativeiro, em Esmeraldas, região metropolitana de Belo Horizonte.

De acordo com a decisão, parte do dinheiro da venda do imóvel que estava bloqueado pela Justiça será destinado ao pagamento da pensão alimentícia do suposto filho de Bruno com Eliza, Bruninho, que atualmente vive com a avó. Segundo o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, o processo tramita em segredo, por isso não há informação sobre os valores pedidos.

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Entretanto o advogado José Arteiro Cavalcante Lima, assistente de acusação no julgamento dos réus no caso, disse que a propriedade já teria sido vendida por R$ 400 mil no ano passado e que o dinheiro já teria até sido repassado à avó de Bruninho. “Foi vendido em novembro. Desvalorizou muito por que algumas pessoas que moram numa favela nas proximidades invadiram a casa e levaram tudo”, disse ele. Segundo Arteiro, o imóvel estaria avaliado atualmente em R$ 800 mil, mas já chegou a ter o valor de R$ 1,2 milhão.

O atleta está detido desde 2010 aguardando julgamentoFoto: Getty Images
O atleta está detido desde 2010 aguardando julgamento
Foto: Getty Images

O Terra entrou em contato com a advogada Maria Lúcia Borges Gomes, que disse desconhecer a venda da propriedade. Para ela, o sítio ainda pertence ao jogador e, “mediante a uma futura indenização, o direito do filho poderá ser requerido”. A mãe de Eliza, que mora no Mato Grosso do Sul, também negou que a propriedade já tenha sido vendida e que tivesse recebido algum dinheiro, mas admitiu que receber a quantia referente à indenização será bem vinda para o futuro do neto. “Se vier a receber algo, vou guardar e investir no Bruninho. Em uma faculdade para ele. Eu não posso nem mexer nisso”, disse Sônia.

Já o advogado Francisco Simim, que defende a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, informou que já existe um comprador para o sítio e que agora, com o fim do bloqueio judicial, a negociação poderá ser concluída. “Já foi feito o contrato, mas não foi pago”, afirmou. Simim destacou, porém, que Dayanne, mãe de dois filhos com goleiro, tem direto à metade do valor da venda do imóvel.

De acordo com o processo, o sítio do goleiro Bruno teria sido o local onde Eliza Samudio teria ficado em cárcere privado, antes de ser executada, em 2010. A polícia suspeitou de que o corpo tivesse sido enterrado na propriedade e realizou buscas no local, mas nenhum vestígio foi encontrado.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores.

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo. Bruno será julgado em março junto a outros dois acusados: o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, e Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime.

No dia 22 de novembro de 2012, durante depoimento de cinco horas, Macarrão responsabilizou Bruno pelo sumiço de Eliza. Dois dias depois, o júri condenou Luiz Henrique Romão, o Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos.

Fonte: Terra