Uma reunião com representantes da aldeia Tekohá Ocoy, Itaipu Binacional e Prefeitura de São Miguel do Iguaçu tratou dos objetivos e metas do projeto Sustentabilidade Indígena para os anos de 2014 e 2015. Na ocasião, foram discutidas as demandas da comunidade para desenvolver um novo plano de trabalho dentro dos principais eixos: agricultura, pesca e cultura.

Por meio de convênio entre prefeitura e Itaipu, a aldeia recebe assistência técnica que contempla preparo de solo, aquisição de sementes de milho, feijão, melancia, melão e hortaliças, apoio a horta da escola, transporte de rama de mandioca, aquisição de animais de tração e equipamentos tipo aradinho e charrete, para auxiliar no trabalho dos indígenas.

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De acordo com o técnico de Meio Ambiente da prefeitura, Edson Bortoluzzi, que presta assistência técnica na aldeia, os indígenas também criam peixes em tanques-rede, com uma produção média anual de oito toneladas, com a parceria da Itaipu. A meta para o próximo ano é produzir entre oito e 12 toneladas de peixes.

No ano que vem também devem ser feitas melhorias na parte de infraestrutura, com a previsão de construção de um barracão para o depósito de ração, ampliação e construção de mais uma Casa de Reza, cascalhamento e melhorias de estradas, entre outras.

Outro trabalho desenvolvido na aldeia Tekoha Ocoy é a manutenção da área de reflorestamento. Para este ano, segundo o técnico da prefeitura, ainda está previsto o reflorestamento de uma área aproximada de cinco hectares. “Priorizamos a faixa mais próxima do lago de Itaipu e a diversificação de 10% a 15% das mudas de espécies que possam ser utilizadas para a produção de artesanato”, informa Bortoluzzi.

Na área da cultura, a aldeia realiza anualmente a Semana Cultural Indígena promovida pelo Colégio Estadual Teko Ñemoingo com o apoio da Itaipu e da prefeitura. O evento tradicional atrai centenas de visitantes da região e até do exterior, que tem a oportunidade de conhecer a cultura e os costumes indígenas, fortemente marcados pelo artesanato e religião. A programação do próximo ano já começou a ser discutida.

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Artesanato já gerou R$ 32 mil em vendas

Cerca de 50 pessoas da aldeia trabalham diretamente com o artesanato, que de janeiro até o mês de setembro deste ano, gerou renda de R$ 32 mil com a venda dos produtos. A prefeitura mantém uma professora de artesanato que atualmente coordena o Núcleo Artístico Cultural Indígena.

No eixo de segurança alimentar são cedidos mensalmente 120 kits alimentares às famílias que têm mais necessidade. Uma vez por semana também é feito o trabalho de nutrição infantil, com o acompanhamento e pesagem das crianças, em conjunto com a enfermeira da unidade de saúde, Pastoral da Criança e Provopar.

Para o cacique Daniel Lopes, esse foi um ano de bons resultados. “A cada ano estamos melhorando, por isso precisamos reavaliar as atividades. Três pontos podemos destacar: a agricultura, a pesca e a cultura. São atividades que são reconhecidas regionalmente e que são tradicionais da comunidade. Procuramos trabalhar fortemente em cima disso, com a parceria da Itaipu e da prefeitura”, apontou o líder indígena.

Ele ainda afirmou que a atual gestão municipal tem dado grande apoio à comunidade em diversas áreas. Conforme o gestor do programa Sustentabilidade de Comunidades Indígenas da Itaipu, João Carlos Bernardes, a aldeia possui cerca de 160 famílias – aproximadamente 700 pessoas. “A nossa principal preocupação e dos parceiros do projeto é melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, trabalhando em conjunto. A comunidade indígena precisa de um olhar a mais dos governos federal, estadual e municipal”, frisou o gestor.

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Fonte: O Paraná
Fotos Simone Prati