Em funcionamento desde novembro de 2013, o Samu Oeste (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência do Oeste do Paraná) já atendeu mais de 22 mil pessoas dos 43 municípios do Consamu (Consórcio Intermunicipal Samu Oeste) e prestou quase 100 atendimentos aeromédicos.

Contudo, os bons resultados contrapõem com a situação financeira do consórcio. A realidade nas contas é drástica e o motivo está na inadimplência das prefeituras que se comprometeram com o pagamento do serviço.

-------------- Notícia continua após a publicidade -------------

Conforme informações apuradas pelo jornal O Paraná, dos 43 municípios, 11 não pagaram a dívida com o consórcio desde o ano passado. Juntas, as pendências chegam a R$ 436 mil, dinheiro essencial para a manutenção das operações. Com esse cenário, o Consórcio se obrigou a acionar as gestões municipais judicialmente.

“Isso causa um rombo orçamentário, por isso o nosso departamento jurídico vai entrar com uma ação na Justiça. Tivemos que chegar a esse ponto, porque as prefeituras estão cientes das dívidas, pois foram contatadas e notificadas, mas não tomaram uma iniciativa”, relata o secretário-executivo do Consamu, José Peixoto Neto.

samu-atendimento

Caos financeiro

O caos nas finanças não está apenas restrito a 2013. Neste ano, das 43 prefeituras, 18 ainda não pagaram sequer um centavo para o consórcio, contribuindo para desestabilizar o caixa do Samu regional. O pagamento da manutenção dos serviços é dividido em 25% para as prefeituras, 25% para o Estado e 50% para União. Governos federal e estadual, inclusive, já garantiram R$ 2,5 milhões para o consórcio neste ano, enquanto contrapartida dos municípios está comprometida.

O conflitante nesse cenário é que o presidente do Consamu, prefeito de Cascavel, Edgar Bueno, em assembleia em fevereiro deu a oportunidade de as gestões municipais que estavam em dívida e não quisessem mais o serviço poderiam pedir a exclusão e automaticamente deixar de receber os atendimentos do Samu Oeste, porém, na ocasião, nenhuma das 43 prefeituras se opôs. Isto é, mesmo sem pagar pelo serviço, parte dos gestores municipais não quer abrir mão do atendimento dos profissionais do Samu.

Um dos motivos para isso pode ser a qualidade dos atendimentos, o que é defendido por Peixoto. “Antes, o Samu só atendia em Cascavel, agora qualquer pessoa na região que discar o 192 terá a certeza que será atendida, independente de onde estiver. Os profissionais são qualificados para prestar o melhor serviço”, pontua.

Balanço

No último balanço divulgado pelo Consamu, em março, o consórcio tinha um total de mais de R$ 4 milhões para receber dos municípios, entre as pendências de 2013 e os atrasados do primeiro trimestre. Atualmente, com o consórcio já licenciado pelo Ministério da Saúde, os municípios têm que pagar R$ 0,99 por cada habitante. O atendimento é realizado nos municípios de abrangência das 10ª e 20ª Regionais de Saúde.

samu-atendimento2

Fonte: O Paraná
Fotos: Aílton Santos