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Chama a atenção das dezenas de pessoas que vão para frente da Boate Kiss, seja para prestar uma homenagem às vitimas da tragédia ou simplesmente por curiosidade, a cena de uma senhora aos prantos.

Muitos chegam até ela e tentam consolá-la, mas a dor é difícil de curar. Natalícia Moraes da Silva, 53 anos, perdeu a filha, Janaína Portela, 19, no incêndio.

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Janaína não era estudante nem tinha saído de casa, no bairro Chácara das Flores, para ir à balada. Ela estava na Kiss justamente para substituir a mãe no trabalho dela, na boate, como lavadora de copos.  Natalícia não estava se sentindo bem na noite de sábado e, como em outras ocasiões, a filha foi substituí-la.

Natalícia colocou a foto da filha em frente à Kiss (Foto: Luiz Roese / A Razão)
Natalícia colocou a foto da filha em frente à Kiss (Foto: Luiz Roese / A Razão)

Inconformada com o fato de ter mandado a filha para a morte, Natalícia está revoltada com a falta de condições de segurança na boate, baseada nas notícias que ouve. “Por que deixaram acontecer isso? Minha mimosa se foi. E agora, como eu fico?”, dizia Natalícia.

No domingo, dia do incêndio, Janaína chegou a sair da boate depois que o incêndio começou. Mas voltou para o inferno, para ajudar a salvar amigos. Ela foi vista já do lado de fora por duas vezes. Na terceira vez em que entrou na boate, não deixou mais o local.

O corpo de Janaína foi sepultado na segunda-feira, no cemitério de São Martinho da Serra. Do bairro Chácara das Flores, saíram vans, cinco carros e um ônibus cheio de vizinhos para o enterro.

Ao lado da mãe, está o outro filho, Fábio, 24 anos, que veio de Florianópolis (SC) no domingo para dar seu apoio e ainda com a esperança de encontrar a irmã viva. Na sexta-feira pela manhã, por exigência de Natalícia, ele foi buscar uma foto de Janaína para que ela colocasse a imagem no memorial em que foi transformada a frente da Boate Kiss. Graças a uma anônima, a mãe também depositou flores no local.

Foram muitos abraços e mensagens de carinho de desconhecidos durante o tempo em que a mãe da Janaína foi em frente à Boate Kiss. Além da dor pela perda da filha, Natalícia também vive a incerteza sobre seu emprego. “Hoje (sexta-feira) até era dia de pagamento. Mas não sei se vou receber. E não sei o que vou fazer daqui para frente”, comentou Natalícia.

Fonte: Jornal A Razão