A Polícia Civil corre contra o tempo para concluir o inquérito que investiga o caso do incêndio na Boate Kiss até o final desse mês. O dia para o término pode variar de acordo com o entendimento que a Justiça tenha da lei, mas a corrente mais aceita é aquela em que a data em que as conclusões da investigação serão entregues à Justiça é a mesma em que completam-se 30 dias da abertura do inquérito, que teve início em 28 de janeiro, um dia após a tragédia. Ou seja, a data limite seria 26 de fevereiro. “Estamos trabalhando com a data de 26 de fevereiro para concluir o inquérito e remetê-lo à  Justiça”, confirma o delegado Sandro Meinerz, um dos responsáveis pela investigação.

Se não foi possível concluir o inquérito nessa data, o que ainda não é cogitado, a Polícia Civil trabalha com  a hipótese de usar mais cinco dias de prazo, relativos ao primeiro decreto de prisões temporárias relativas ao caso.

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Polícia Civil investiga o incêndio na boate Kiss, na rua dos Andradas. Tragédia aconteceu na madrugada de 27 de janeiro e deixou 239 mortos e dezenas de feridos (Foto: Deivid Dutra / Arquivo / A Razão)
Polícia Civil investiga o incêndio na boate Kiss, na rua dos Andradas. Tragédia aconteceu na madrugada de 27 de janeiro e deixou 239 mortos e dezenas de feridos (Foto: Deivid Dutra / Arquivo / A Razão)

Como os donos da boate Kiss, Elissandro Spohr, o Kiko, e Mauro Hoffmann, e dois integrantes da banda Gurizada Fandangueira, o vocalista Marcelo dos Santos e o produtor musical Luciano Leão, estão presos temporariamente ou sob custódia policial desde 28 de janeiro e depois tiverem o decreto de prisão renovado por mais 30 dias em 1º de fevereiro, eles poderão ser soltos em 3 de março.

Há também outra hipótese que pode ser considerada. A prorrogação das prisões temporárias não é mais possível. Porém, a Polícia Civil pode pedir a prisão preventiva dos suspeitos. Nesse caso, o prazo para a conclusão do inquérito poderia ser alongado em mais 10 dias.

Mas o prazo para a conclusão do inquérito, seja terminando em 26 de fevereiro, seja empurrando para o início de março, não preocupa os responsáveis pelo caso. O trabalho vem sendo desenvolvido de forma rápida. Até agora, foram cerca de 150 pessoas ouvidas em Santa Maria, Júlio de Castilhos, Cruz Alta, Ijuí e Passo Fundo. O inquérito já passa das 1,7 mil páginas, entre depoimentos digitados e centenas de documentos anexados. Mais depoimentos estão marcados para hoje. Entre eles, o de bombeiros que participaram do resgate das vítimas.

Advogado comenta – Para o advogado de Kiko Spohr, Jader Marques, o prazo de conclusão do inquérito seria mesmo de 30 dias após o primeiro decreto das prisões temporárias, ou seja, em 26 de fevereiro. Nesse caso, na opinião dele, a prisão de Spohr, que duraria mais cinco dias, não se justificaria mais para fins de investigação, pois o inquérito deveria estar concluído.

“Mesmo que o inquérito seja concluído em 30 dias e o Kiko fique preso até os 35 dias, não pretendo fazer pedido algum à Justiça. Até porque ele está disposto a fazer tudo o que for solicitado, não apresentar nenhum obstáculo”, diz Jader Marques.

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Fonte: Luiz Roese – A Razão