O presidente Jair Bolsonaro afirmou na sexta-feira (8) acreditar que o governo conseguirá aprovar a reforma da Previdência ainda no primeiro semestre deste ano.

“Acredito que sim [aprovar neste semestre]. Não pode levar um ano para aprovar uma reforma. Nós aqui vamos fazer de tudo para que ela não seja desidratada, mas respeitamos a autonomia do Parlamento se alguma mudança for feita”, disse ao fim de evento de entrega de credenciais para embaixadores no Palácio do Planalto.

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Bolsonaro disse que, apesar de ser uma “medida amarga”, a Previdência é de interesse de todos, e citou os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

“Sabemos que alguns aspectos são uma medida amarga, mas é uma resposta que temos que dar, de uma política sem muita responsabilidade que foi feita ao longo dos últimos anos, e tem que dar um freio de arrumação agora. Até os militares vão entrar com a sua cota de sacrifício nessa reforma”, disse.

Questionado sobre se o governo tem base necessária para aprovar a reforma no Congresso, o presidente disse que sua equipe está “apelando para o espírito patriótico” dos parlamentares.

“Nós estamos fazendo política de uma forma diferente. Da forma que vinha sendo feita não podia dar certo. Nós estamos buscando os parlamentares, apelando para o espírito patriótico deles, o Brasil é um país que se continuar sem reformas, a tendência nossa é chegar à beira do caos e nós não queremos isso. Essa é a política, a forma que estamos nos aproximando do Parlamento brasileiro”, disse.

Recentemente, Maia disse que o governo ainda não tinha no curto prazo os votos necessários para aprovar a PEC na Câmara.

O presidente não detalhou quais serão as mudanças feitas para militares na reforma. O governo não incluiu a categoria na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) encaminhada ao Congresso em fevereiro. A ideia é que elas entrem em um segundo texto, que pode ser um projeto de lei ordinária e deve ser enviado ao Legislativo até o fim de março.

Capitão reformado do Exército, Bolsonaro escalou oito militares para o primeiro escalão de seu governo, além de ter um general da reserva, o general Hamilton Mourão, como vice.

A equipe econômica, em contato com representantes das Forças Armadas, estuda um texto para elevar o tempo de trabalho de 30 anos para 35 anos para militares e passar a taxar viúvas, que hoje recebem pensões isentas de tributação.

O presidente não soube dizer quando o projeto será enviado ao Congresso, mas ressaltou que, por se tratar de lei ordinária -que exige um quorum menor para sua aprovação-, tem tramitação mais célere.

“A nossa reforma [dos militares] não depende de PEC, então é muito fácil. Pode chegar lá uma semana na Câmara, uma semana no Senado e está solucionada a questão. Então os militares vão também participar da reforma da Previdência, ninguém ficará de fora dela”, disse.

Portal Guaíra com informações da Agência Brasil