cruzNeste domingo celebramos a Comemoração dos Fiéis Defuntos. Recordamos com carinho de todos os nossos entes queridos que partiram desta vida e se encontram junto do Pai vivendo a plenitude do encontro com o Amor Maior que nos amou primeiro e deu a vida de seu Filho por todos nós.

O fundamento de nossa fé é a ressurreição de Jesus Cristo. Recordar os irmãos falecidos é uma oportunidade especial de suplicar ao Pai a fé no Cristo Ressuscitado, condição para celebrarmos a Páscoa eterna de nossos entes queridos que já partiram desta vida. O Evangelho de hoje (Jo 11,32-45) é uma catequese sobre a ressurreição. Nos sinais (milagres) que o Evangelho relata, o objetivo é conduzir os discípulos, o leitor do Evangelho e todos nós à fé em Jesus Cristo. “Marta, não te disse que, se creres, verás a glória de Deus? Crês nisso”? “Creio, Senhor, mas aumenta a minha fé” é afirmação que deveria nos invadir neste dia e acompanhar Jesus realizando o milagre da vida ao ressuscitar Lázaro e despertar a fé nos judeus e em todos nós. A presença do Senhor suscita a esperança. Por isso que para os cristãos a morte tem o gosto da esperança. Dando sua vida em sacrifício e experimentando a morte, e morte na cruz, Jesus ressuscitou e salvou toda a humanidade. Esse é o mistério pascal de Cristo: morte e ressurreição. Ele nos garantiu que, para quem crê, for batizado e seguir seus ensinamentos, a morte é apenas a porta de entrada para desfrutar com ele a vida eterna no Reino do Pai.

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Dom João Carlos Seneme
Dom João Carlos Seneme

Diante do vulto obscuro da morte, só resta a nós cristãos – como a todo mundo – chorar como Jesus chorou sobre o túmulo do amigo Lázaro e como chorou lágrimas de sangue sobre a própria morte, lá no Horto das Oliveiras. É a manifestação da consciência de nossa fragilidade e que neste momento colocamos em Deus nossas vidas, a vida de nossos falecidos sabendo que Jesus destruiu a morte na cruz. Quando Jesus passa pela morte, Ele extraiu-lhe todo o veneno e ressuscitou.

Depois da ressurreição dos mortos, a oração do Creio proclama a fé na vida eterna ou na vida do mundo que há de vir. Não é pouco o que esperamos; a finalidade da nossa luta é alcançar a vida eterna. Esta vida eterna é a continuidade e a expansão da nossa vida de união com Cristo a partir da terra e na sua plenitude consiste em ver a Deus “tal como Ele é” (1Jo 3,2), na plena participação da vida trinitária. É vida intensa, tal como é intensa a vida do próprio Deus, em que “Deus será tudo em todas as coisas” (1Cor 15,28).

Nós possuímos desde já as primícias desta vida em plenitude. Esta fé e esperança não deixa de ter consequências sobre a maneira de viver e de enfrentar a morte. A liturgia exprime-se assim a este propósito: “E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado nos céus, um corpo imperecível” (Prefácio da Missa dos Defuntos). Morrer cristãmente, para aquele que vê vir a morte, leva-o a abandonar-se confiadamente à misericórdia de Deus. A oração da Igreja encoraja-nos a que nos preparemos para a hora da nossa morte: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte”.

Dom João Carlos Seneme, css
Bispo de Toledo