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O presidente nacional do PSDB e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin , se reuniu na quinta-feira com o presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto. Na saída, disse que o partido apoia a reforma. Mas considera que o governo deveria se concentrar na idade mínima e no tempo de transição. O tucano considera que o texto da reforma é muito complexo, longo e detalhista. Este foi o terceiro de uma série de encontros de Bolsonaro com presidentes de partidos e parlamentares iniciados nesta manhã.

Alckmin, que disputou a Presidência com Bolsonaro no ano passado e ficou em quarto lugar, disse ainda que informou ao anfitrião do encontro que as bancadas do PSDB na Câmara e no Senado votarão contra a mudança no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende a pessoas com deficiência, e as alterações nas regras da aposentadoria rural.

O ex-governador paulista contou também que nem o presidente nem o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, que participa das audiências com Bolsonaro, convidaram o PSDB para integrar a base do governo. Na quarta-feira, Onyx afirmou que Bolsonaro faria convites oficiais na série de reuniões para formar a base para a votação da Reforma da Previdência no plenário da Câmara. Mais cedo, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, também disse que não foi convidado.

– O PSDB tem uma postura de independência em relação ao governo. Não há nenhum tipo de troca. Não participaremos do governo, não aceitamos no governo e votamos com o Brasil. Aquilo que a gente entende que é importante para o país, para voltar a crescer, ter emprego, ter renda, o partido vai votar favorável. Aquilo que a gente entender que não é justo, nós votaremos contra – disse Alckmin – Nem se tocou nesse assunto (do convite) – complementou.

De acordo com Alckmin, a conversa foi focada na questão das reformas. Ele disse que o PSDB tem compromisso com as pautas, em especial com a da Previdência, mas que a proposta precisa ser centrada na justiça social, para acabar com privilégios e proteger aquelas que mais precisam, e na questão fiscal.

– O importante na reforma é idade mínima e tempo de transição. A reforma é muito complexa, muito longa, muito detalhista. Por exemplo, nós não aprovaremos nenhum benefício menor que o salário mínimo. O nome já diz, né? Mínimo – disse o tucano, que foi à reunião acompanhado do líder do partido no Senado, Roberto Rocha (MA), e do secretário-geral da legenda, Marcus Pestana.

‘Boa e má política’
No início de sua fala a jornalistas, Alckmin disse que foi convidado por Bolsonaro e foi ouvir o presidente, porque “o diálogo é importante e a política precisa ser feita com civilidade”. Questionado posteriormente sobre declarações do chefe do Executivo enquanto candidato chamando-o de representante da “velha política”, ele negou que a audiência represente uma rendição do presidente a práticas já condenadas por ele.

– Não existe nova e velha. Existe boa e má politica. Boa política não envelhece, tem que se fazer focado no interesse coletivo – disse o tucano, que brincou em seguida sobre o reencontro com Bolsonaro. – O presidente me cumprimentou dizendo ‘olha, votei em você nas últimas eleições’.

Indagado se acha que o presidente entende a diferença entre boa e má política, Alckmin defendeu o diálogo.

– Quanto mais a gente ouve, menos a gente erra. O caminho é o caminho do diálogo. Política é diálogo, não é troca-troca. Saber ouvir é uma grande virtude – disse o presidente do PSDB, que negou ter dado conselhos a Bolsonaro. – Não se guarda ressentimentos na geladeira – complementou, ao ser questionado se as reuniões serviram par distensionar o ambiente político.

Portal Guaíra com informações do Globo