Policiais civis do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) prenderam ontem o libanês Hamze Ahmad Barakat. Ele é suspeito de montar um esquema milionário de fraudes, que lesou em R$ 10 milhões indústrias de vestuário de cinco estados. De acordo com a Polícia Civil, Hamze e um comparsa já identificado criavam empresas em nome de “laranjas” e compravam grandes quantidades de produtos de indústrias de vestuário e calçados. “Essas compras nunca eram pagas”, contou o delegado-titular do Nurce, Cassiano Aufiero. As mercadorias eram rapidamente revendidos para outros comércios por preços atrativos e até mesmo para lojas dos envolvidos e de suas famílias.

fraudeProdutos comprados pelo esquema fraudulento foram encontrados em duas lojas do centro de Curitiba e duas no bairro Novo Mundo. Duas delas pertencem aos suspeitos. Foi apreendido um Gol, comprado por meio de fraudo. “Sabemos que existem mais lojas vendendo estas mercadorias, inclusive por preço abaixo do de fábrica. Elas serão vistoriadas”, afirmou Aufiero.

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A gerente de uma das lojas de Hamze, Tatiane Aparecida Ribeiro, diz que nunca suspeitou que houvesse algo errado. “É uma loja normal, não aparentava nada de errado. Quando as mercadorias chegavam tinha nota, tudo normal, e a gente conferia”. Ela diz também estar preocupada com a situação. “Ele sempre pagou a gente corretamente, o que nós estamos preocupadas agora é com as questões trabalhistas”, explica a gerente da loja. Ela conta que todas as funcionárias da loja estão sem a carteira de trabalho. “A contadora diz que já devolveu a carteira para ele [Hamze], mas a gente não sabe de nada ainda”, conta.

O advogado dela, André Valle, diz que vai garantir as verbas rescisórias, caso as funcionárias da loja percam o emprego.

O golpe atingiu empresas também de São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Minas Gerais. “O prejuízo causado pela dupla ultrapassa com facilidade os R$ 10 milhões e causou a falência de 18 empresas”, relatou Aufiero. Os nomes das empresas não serão divulgados.

Hamze e seu comparsa, que atualmente está no Líbano, foram indiciados pelos crimes de receptação qualificada, estelionato, falsidade documental e formação de quadrilha.

Há informações de que Hamze aliciava libaneses recém-chegados ao Brasil para que eles “emprestassem” o nome para abertura de empresas para a prática dos golpes.

O Nurce ainda estuda a possibilidade de, assim que a prisão preventiva do outro envolvido for decretada, acionar a Interpol para garantir que o suspeito pague sua pena.

Fonte: Joice Hasselmann