Um único documento. É isso que está travando a entrega definitiva da nova sede da Delegacia da Polícia Federal em Guaíra. A obra que custou R$ 6,2 milhões iniciou em dezembro de 2009 e deveria ter sido concluído no fim de 2011.

Com base no contrato original, apesar de algumas prorrogações e aditivos, o atraso já chega a um ano e dois meses. A construtora responsável, a Sovifer, já foi notificada para que conclua, com a máxima urgência, uma espécie de memorial descritivo no qual precisa constar cada detalhe e item utilizado na obra e onde foi colocado. A entrega provisória foi feita, mas não foi aceita justamente pela falta desse documento.

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Antes desse entrave, o espaço que tem mais de três mil metros quadrados de área construída já apresentava problemas. Infiltrações tomavam conta de uma das paredes frontais.

Segundo o superintendente da PF no Paraná, José Alberto Iegas, o prazo previsto para inauguração da nova delegacia de Guaíra agora é para março
Segundo o superintendente da PF no Paraná, José Alberto Iegas, o prazo previsto para inauguração da nova delegacia de Guaíra agora é para março (foto: Ailton Santos)

Segundo o superintendente da Polícia Federal no Paraná, o delegado José Alberto Iegas, as infiltrações foram consertadas mas a construtora com sede em Terra Roxa ainda tem R$ 150 mil a receber. Sem a finalização do memorial ela não terá acesso ao recurso. “Estamos muito preocupados. Cobramos a empresa com frequência porque o planejamento era fazer a mudança no início do ano. Nesse momento trabalhamos com a perspectiva de março”.

A gravidade do caso vai além. Sem o memorial é impossível emitir outros documentos como o alvará e o habite-se, por exemplo. “A empresa é quem precisa fazê-lo. Ela é quem sabe o que e como foi usado. Se tivéssemos aceitado a obra dessa forma, quem teria que fazer seria a Polícia Federal”, alertou Iegas.

Empresa diz que obra está concluía

Na empresa, a informação é que a parte da construtora já foi feita e que a delegacia já foi entregue provisoriamente. Há o reconhecimento que existem alguns entraves burocráticos com a emissão de documentos, mas a alegação é que a estrutura não havia sido inaugurada ainda porque faltariam recursos, da própria PF, para investir na mobília, orçada em pelo menos R$ 500 mil. O superintendente da PF no Paraná, José Alberto Iegas, nega essa informação e afirma que há mais de um ano foram comprados para Guaíra aproximadamente R$ 300 mil em móveis e que esses podem ser utilizados na nova sede. “O que não havia sido liberado eram os recursos para os móveis planejados que estavam no projeto para a unidade de perícia, mas nada nos impede de mudar com o que temos e adquirir o restante gradativamente. O que falta mesmo é a entrega definitiva com o memorial”, reafirma.

Previsões iniciais da construção

O novo prédio foi construído em um lote de 5.666,89 metros doado pela prefeitura na rua Martin Luther King, na Praça Castelo Branco. No projeto original estão previstos quatro pavimentos, incluindo o subsolo, com área total construída de mais de três mil metros.

A obra foi orçada primeiramente em menos de R$ 5,5 milhões, mas adendos elevaram o valor para R$ 6,2 milhões, custeados pelo governo federal. O prazo contratual para término, no início, era de 720 dias, o que finalizaria em dezembro de 2011.

A sede abrigará os serviços prestados no atual prédio alugado, como emissão de passaportes, registros de armas, controle de produtos químicos, segurança privada, núcleo de inteligência e operações, protocolos diversos e o novo setor de perícias.

Fonte: Juliet Manfrin – O Paraná