O segundo Vant (Veículo Aéreo Não Tripulado) que integra o programa de monitoramento da fronteira do Brasil com o Paraguai e Argentina está em fase de testes na região. A aeronave, também de fabricação e tecnologia israelense, idêntica à que já estava na base aérea da Polícia Federal em São Miguel do Iguaçu há um ano, sobrevoou ontem locais próximos à fronteira.

Cada exemplar custou à União R$ 8 milhões, sem incluir a capacitação do grupo para operá-lo. Segundo informações da Polícia Federal, depois de muitos desgastes e inúmeros problemas, ambos estão prontos para atuar.

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Exemplar idêntico ao que já está na base de São Miguel foi utilizado em voos de teste ontem na fronteira

A primeira delas foi apresentada oficialmente com voo inaugural em novembro de 2011 e desde os testes não foi mais vista em ação ficando por mais de um ano guardada no hangar. Entre os entraves que motivaram a inoperância esteve a falta de combustível e problemas contratuais à manutenção. Recentemente, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse durante visita à região que todos esses problemas foram resolvidos.  O compromisso da Polícia Federal é de tirá-los do solo efetivamente neste mês.

Porém, há pouco rumores davam conta de que o primeiro equipamento bastante esperado para o combate e controle à criminalidade seria repassado à Força Área Brasileira, já que a PF também estaria tendo dificuldades para operacionalizá-lo diante da alta complexidade do equipamento. Cardozo negou a informação, mas a FAB aparece como potencial parceira ao projeto.

A promessa e a expectativa agora são para que ambas passem a operar em um circuito integrado com foco no tráfico de drogas, armas, municípios, contrabando e descaminho.

Para isso, a PF espera contar, além da parceria com a Força Aérea Brasileira, com outras forças policiais estaduais e federais.

De olho na inoperância 

Os dois veículos aéreos não tripulados são fundamentais para a vigilância da fronteira, sobretudo a do Brasil com o Paraguai, que é considerada hoje uma das mais vulneráveis do País. Ela é avaliada como uma das principais portas para acesso de drogas, armas, munições, eletrônicos e cigarros que abastecem boa parte do Brasil. A inoperância, agregada a todos os problemas envolvendo o equipamento, chamou a atenção do MPF (Ministério Público Federal). Uma vistoria à base chegou a ser agendada para o mês de agosto, mas foi cancelada por conta da greve dos servidores do MPF e da própria Polícia Federal, porém, o assunto ainda não saiu da pauta de discussão do MPF, que não descarta a possibilidade de mover uma ação civil pública contra o governo federal caso essa unidade específica continue inoperante.

Fonte: Juliet Manfrin – O Paraná