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[dropcap color=”#dd3333″]U[/dropcap]ma jovem que participou da festa na casa da família Brittes, e teria ficado com o jogador Daniel Corrêa Freitas momentos antes de sua morte, foi ouvida na Delegacia de São José dos Pinhais na segunda-feira (12) e retornou ao local na terça-feira (13) para reconhecer mais um envolvido no crime. Durante o depoimento, a testemunha relatou que todos continuaram na casa da família depois do crime, sendo que todos almoçaram juntos.

A jovem, de 19 anos, contou à polícia uma versão semelhante a outros envolvidos, porém, afirmou que além de Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, Igor King e David Willian Villero Silva, um dos irmãos Purkote, que são gêmeos, teria auxiliado nas agressões e entregado a faca usada no crime para Edison Brittes. Por este motivo, a testemunha precisou retornar à delegacia, para reconhecer quais dos irmãos estaria envolvido na situação. “Ela veio fazer um reconhecimento fotográfico que faltou ontem, veio complementar o depoimento. Existia uma dúvida de quem teria participado em alguma situação ali [na festa], e ela conseguiu reconhecer”, explicou o advogado que representa a jovem, Rafael Lima.

Ao longo do depoimento, a jovem explicou que após as agressões, Edison pediu para que Allana buscasse uma coberta. “Colocaram Daniel nesta coberta e o colocaram dentro do porta-malas do carro”, relatou a testemunha. Antes de deixar o local, porém, Edison teria mandado que a jovem, junto com David, Igor, Eduardo, Allana e Cristiana, auxiliados por ele, limpassem a área interna da casa. A jovem relatou, ainda, que o colchão do casal foi cortado na parte em que havia sangue, e que este pedaço foi queimado junto com os documentos de Daniel. Neste momento, o celular do jogador teria sido encontrado e, em seguida, quebrado por um dos gêmeos – o mesmo que auxiliou nas agressões.

De acordo com o advogado, a jovem estaria assustada e com medo do que pode acontecer durante a investigação, mas não teria sido ameaçada pela família Brittes após os fatos. “Ela prestou informações dentro da investigação, houve ali uma coação dentro do contexto todo, ela está com medo do que pode acontecer. Ninguém a ameaçou, mas o medo é inerente à situação. No momento [após a festa] houve uma exigência, uma ordem. Disseram que não era para chamar ninguém, para não avisar ninguém, e ela não entendeu o que estava acontecendo”, disse. No depoimento, porém, a testemunha explicou que assim que retornou para a casa após o crime, Edison reuniu todos que estavam no local e combinou o que falariam para a polícia. “Caso perguntassem sobre Daniel, era para falar que ele estava ali, que o portão havia ficado aberto e ele teria saído sem dizer nada a ninguém. Edison disse que dali não era para sair nada, que haviam visto o que tinha acontecido, e o que ele era capaz de fazer”, aponta o depoimento.

Por fim, a testemunha disse que após todos os envolvidos retornaram para a residência, Edison contou que havia assassinado Daniel e que não iriam encontrar o corpo. De acordo com a jovem, “em nenhum momento Cristiana relatou abuso sexual ou estupro”. Neste momento, a testemunha relatou ter sentido fome e ido até a cozinha onde, por pedido de Allana, cozinhou o almoço para todos os presentes, que almoçaram juntos – com exceção de Edison.

Ata notorial é anexada ao inquérito
Além da jovem, a defesa da família do jogador foi até a Delegacia nesta terça-feira para entregar uma Ata Notorial, que deve ser anexada ao inquérito. “São as mensagens trocadas entre a família dos acusados e a família da vítima. A gente aguarda a conclusão deste inquérito, não tem mais nada para esclarecer. Aconteceu tortura, morte com três qualificadoras”, explicou o advogado Nilton Ribeiro.

Para a defesa, a conversa pode ser responsável por aumentar a pena aplicada e serve para dosá-la, ao final da condenação. “Total falta de respeito a uma mãe que sofria, que sofre. É monstruoso, é frio, calculista, insensível. (…) É falta de humanidade, isso deve aumentar a pena. Vai servir para dosar a pena ao final da condenação, quando o juiz ou juíza fazer a dosimetria”, disse, afirmando que acredita que o caso será levado a júri popular.

Além disso, Ribeiro relatou que a assistência de acusação pretende analisar o depoimento da jovem, ouvida nesta segunda-feira, com certa ‘ressalva’. “Precisa analisar com mais calma, ela me parece uma pessoa muito próxima da família. Foi a última a ser ouvida, já tinha conhecimento de todo o processo, então não vejo o depoimento desta moça com total isenção”.

Portal Guaíra com informações da Rede Massa


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