O motorista Alex dos Santos, que levou ao hospital de Clevelândia, no sudoeste do Paraná, cilindros de oxigênio doados por cervejarias disse que se emocionou ao deixar o local.

“Tinha gente esperando ali, saíram correndo para ajudar a descarregar e levar para dentro do hospital. Saí chorando dali, sinceramente”, afirmou.

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O motorista, que entregou 17 cilindros ao hospital, disse que era visível na equipe da unidade de saúde a urgência para receber as doações.

“Eu cheguei de noite, e deu para notar que eles estavam desesperados”, afirmou.

Alex contou que teve Covid-19 no começo do ano, e chegou a ficar cinco dias internado recebendo oxigênio. “Quando a gente passa por isso, entende a gravidade do momento”, disse.

Doação
A doação de três cervejarias aconteceu após um apelo de um dos empresários do ramo nas redes sociais, pedindo ajudas a colegas para ajudar o hospital da cidade.

“Quem tiver disponibilidade e ajudar em doar oxigênio, para nós levarmos para o hospital de Clevelândia. O estado lá é de calamidade”, disse o empresário Pedro Reis na mensagem.

Os cilindros doados são usados na fermentação das bebidas, pelas cervejarias. As doações foram entregues ao hospital de Clevelândia, no sudoeste do Paraná.

Colapso
De acordo com o chefe da regional Regional de Saúde de Pato Branco, Anderson Nesello, fornecedores de cilindros de oxigênio estão com dificuldade para dar conta da alta demanda de 12 hospitais da região sudoeste do Paraná.

Nesello explicou que há oxigênio para os pacientes, mas os cilindros que fazem o armazenamento estão em falta.

A regional também pediu para que moradores que tenham cilindros em casa emprestem aos hospitais.

“Seria muito bom que as pessoas cedessem temporariamente até que passasse esse processo”, afirmou.

A demanda em alta é causada pela ocupação dos hospitais da região. Segundo a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), 98,6% das vagas de leitos de UTI do SUS para Covid na macrorregião oeste do Paraná estão ocupadas.

De 282 leitos existentes, 278 estão ocupados e quatro estão livres, segundo dados da Sesa.

A solução é paliativa, enquanto os pedidos feitos a usinas menores de oxigênio não são entregues aos hospitais.

Clevelândia
Clevelândia, onde os cilindros das cervejarias foram entregues, vive o pior momento da pandemia em um ano.

De acordo com informações da Secretaria Estadual da Saúde (Sesa), até sábado (13), 47 pessoas tinham morrido vítimas da Covid-19 em Clevelândia. Deste total, 21 mortes aconteceram apenas nas duas primeiras semanas do mês de março.

Do total de 1.222 casos registrados em um ano na cidade, 287 foram registrados nas duas primeiras semanas de março, o que representa um aumento de seis vezes no número de novos diagnósticos em relação à média dos meses anteriores.

Para tentar conter o avanço da pandemia no município, a prefeitura estabeleceu medidas rígidas de circulação e funcionamento de atividades comerciais a partir de sábado (13), válidas por nove dias.

Apenas serviços essenciais podem funcionar, e pessoas só podem circular na rua “em casos extremos e por situações extremas de saúde”.