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Os produtores de soja do sudoeste do Paraná estão preocupados com uma praga que atinge as lavouras, a chamada ferrugem-asiática. De acordo com estudos da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), as soluções usadas para evitar a propagação dessa praga têm perdido a eficácia. Para evitar a disseminação da doença, a Adapar sugere que os agricultores evitem promover a segunda safra anual do grão, conhecida como safrinha.

Para os produtores, isso pode gerar prejuízos. Segundo o agricultor Nelson de Bortoli, um dos pioneiros na safrinha de soja, a opção de se plantar o grão mais de uma vez ao ano foi tomada para garantir a lucratividade no campo. “Como nós não temos milho aqui e trigo é muito difícil, por causa das geadas, nós optamos pelo plantio da soja. Veio a tecnologia e nos ofereceu essa oportunidade”, explica.

Para reduzir os danos à terra, devido à monocultura da soja, a Adapar já mantém um esquema de vazio sanitário, quando é proibido cultivar o grão. Atualmente, o prazo de proibição vale a partir de 15 de junho. O objetivo é aumentar em 45 dias essa restrição. A agência acredita que o plantio contínuo da soja está causando a propagação da ferrugem-asiática.

Em Pato Branco, os agricultores estão preocupados, pois haviam planejado fazer a safrinha em 2016. “O que a gente pediria é para que se ouvisse um pouco os produtores e liberassem pelo menos mais uma safra para o produtor plantar essa safrinha, que já está adquirida”, diz o agricultor Sidiclei Caldatto, que alega já ter comprado as sementes e os insumos necessários para iniciar a plantação tão logo termine a colheita da safra principal neste ano.

No entanto, a pesquisadora Claudine Seixas, da Embrapa Soja, diz que a insistência no plantio pode prejudicar ainda mais as lavouras como um todo. Ela explica que os fungicidas atuais não conseguem ter tanta eficácia. “Hoje, nós temos a média de três aplicações na safra. Com a segunda safra, com a soja tardia, nós temos visto essa média subir para cinco aplicações, com situações de até sete aplicações de fungicidas”, explica.

A Adapar quer que os produtores façam o plantio da safrinha até o dia 31 de dezembro deste ano, para garantir o uso das sementes e a colheita ainda no mês de abril. “Assim, nós garantimos a produção da soja, sem comprometimento de produtividade pelo ataque dessa praga”, pontua a superintendente regional da Adapar Adriana Lazzarotto.

Bortoli, no entanto, contesta as previsões da Adapar e diz que só na lavoura dele o prejuízo pode chegar a R$ 3 milhões, se não puder plantar a safrinha como previsto. “A agricultura perde muito, a região vai perder muito e eu acredito que nós não vamos conseguir honrar nossos compromissos se nós não tivermos a safrinha aqui no nosso município”, diz.

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Portal Guaíra com informações do G1


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