Já se passou uma semana do crime que chocou o País inteiro: o da mãe que matou os próprios filhos em Guarapuava, na região Centro-Sul do Paraná. Eliara Paz Nardes, 31 anos, manteve os cadáveres das crianças em casa por 14 dias. E ao longo destes oito dias de investigação, várias novidades e informações foram surgindo.

No dia 27 de agosto, a mãe telefonou ao um advogado em Santa Catarina, onde ela morava anteriormente, contando que tinha matado os próprios filhos. O advogado ligou à delegacia de Guarapuava e os investigadores foram ao apartamento de Eliara, no centro da cidade, onde encontraram as duas crianças mortas.

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Os cadáveres já estavam em decomposição, debaixo de um cobertor, na cama de Eliara. A perícia constatou que os corpos tinham datas de óbitos diferentes. Foi quando Eliara confessou à polícia que matou primeiro o menino, Joaquim Nardes Jardim, de 3 anos, no dia 13 de agosto, asfixiado com um travesseiro.

Depois enforcou a filha, Alice Nardes de Oliveira, de 10 anos, no dia 17, enforcada com um cachecol. Ela recebeu os policiais em sua casa e contou tudo tranquilamente, com detalhes. A mulher ainda disse à delegada Ana Hass, de Guarapuava, que estava cansada de cuidar das crianças, surtou e cometeu o crime.

Ela foi presa por ocultação de cadáver, fraude processual e pelos dois homicídios. Conforme a delegada Ana Hass, de Guarapuava, Eliara não parecia estar arrependida pelo assassinato dos filhos e só ficou chocada depois de saber que seria presa. A Justiça decretou a prisão preventiva dela na segunda-feira (29).

O pai da menina já é falecido. E o do garoto mora em Santa Catarina. Ele prestou depoimento à polícia e contou que não deu falta do filho, porque Eliara barrava o contato dele com a criança. Ela bloqueou até mesmo o contato dos próprios familiares dela e ninguém conseguia falar com a mulher.

Familiares de Eliara prestaram depoimento. Uma deles relatou que a mulher tinha um comportamento bipolar. Uma hora, bloqueava o contto dos familiares. Daqui a pouco desbloqueava, reaparecia, mas novamente bloqueava os contatos e ficava mais um tempo sumida.

Eliara trabalhava com empréstimos consignados e continuou atuando normalmente depois de matar os flhos. Saía de casa e voltava como se nada tivesse acontecido. O porteiro relatou que deu falta das crianças. E o motorista da van que os levava à escola também tentou contato com Eliara, para saber das crianças, mas não foi respondido.

Em Santa Catarina, onde ela morava antes, os vizinhos também relataram que Eliara e as crianças pareciam uma família normal. Eliara entrava e saia com as crianças, sempre bem cuidadas e limpinhas.

Cartas de “confissão”

A polícia encontrou duas cartas no apartamento de Eliara, que ela teria escrito após a morte dos filhos. São cartas bem longas, nas quais ela aparenta justificar a morte dos filhos. Mas, para a delegada, Eliara estava tentando, na realidade, bolar estratégias de defesa e formas de se isentar do crime e se apresentar à polícia.

O conteúdo das cartas também leva a delegada a crer que, ao contrário do que disse a mãe, ela não teve nenhum surto e que o crime também foi premeditado.

Nas cartas ela também revela que tinha uma vida boa com a filha mais velha. Ao conhecer o pai do menino mais novo, a vida dela mudou para pior. E que era um fardo para ela cuidar sozinha das crianças. Então Eliara se “livrou” dos filhos para levar uma vida nova, mas sem pensar que seria presa. A delegada ainda acredita que Eliara se mudou para Guarapuava de forma premeditada, já com a intenção de matar os filhos.

Uma advogada foi constituída para o caso e revelou que vai pedir à Justiça exames psiquiátricos para Eliara. E que só com o laudo dos exames é que poderão descartar (ou não) a possibilidade da mulher ter tido um surto.

Portal Guaíra com informações do RIC Mais