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[dropcap color=”#dd3333″]O[/dropcap] Ministério Público do Paraná (MP-PR) pediu que o casal acusado de matar o filho recém-nascido, em maio de 2017, em Londrina, no norte do Paraná, seja julgado pelo Tribunal do Júri.

Segundo a denúncia do MP-PR, o laudo de necropsia apontou que o bebê, um menino, nasceu, chegou a respirar, mas foi morto por traumatismo craniano logo após o nascimento.

O corpo foi enrolado em uma toalha e guardado dentro de uma caixa de sapato em um armário, ainda de acordo com a denúncia.

Henrique Medina Sanches e Natalia Fuentes Leonel chegaram a ser presos cerca de um mês após o parto, que ocorreu no apartamento onde os dois moravam, e foram soltos após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido do MP-PR para que o casal vá a júri popular foi anexado ao processo, que tramita na 1ª Vara Criminal de Londrina, na última segunda-feira (3).

A defesa de Henrique Medina Sanches disse que ele é inocente e informou que aguarda intimação para contestar os argumentos do MP-PR.

A defesa de Natalia Fuentes Leonel afirmou que só vai se manifestar no processo.

As alegações finais do MP-PR
O promotor Ricardo Alves Domingues afirma no documento que, apesar do casal alegar que Natália agiu sozinha, é evidente que o Henrique também ocultou o cadáver do bebê, porque demorou 15 minutos para sair do hospital e ir para casa buscar a caixa de sapatos onde estava o corpo do recém-nascido.

“O que só seria possível caso o réu soubesse exatamente onde estava ocultado o cadáver”, diz um trecho das alegações.

Laudos e depoimentos de testemunhas fazem parte das provas apresentados pelo MP-PR para pedir que o casal seja julgado pelo júri popular pelo crime de homicídio qualificado – por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, com agravante de crime contra descendente – e pelo crime de ocultação de cadáver.

Entre as provas, estão laudos de exames de equipamentos eletrônicos que mostraram que os dois fizeram pesquisas na internet sobre gravidez, parto em casa e aborto.

Ainda de acordo com as alegações finais, os dois mataram o filho recém-nascido para “se eximirem das responsabilidades decorrentes da paternidade e da maternidade, bem como ocultaram seu cadáver, a fim de esconderem o crime de homicídio que haviam acabado de praticar”.

Próximos passos
Com a apresentação das alegações finais do Ministério Público, é aberto prazo para apresentação das alegações finais das defesas dos réus.

Depois, a Justiça decide se o casal é inocente, se o processo pode ser arquivado mas reaberto a partir de novos indícios, ou se os dois serão julgados pelo Tribunal do Júri. Não há um prazo para essa decisão.

Relembre o caso
Fuentes procurou o hospital após o parto, em 7 de maio do ano passado, e reclamou de dores abdominais e sangramento. Aos médicos, ela disse que tinha sofrido um aborto espontâneo em casa, que o feto nasceu morto e que estava grávida de quatro ou cinco meses, segundo a denúncia.

No entanto, foi constatado que a gestação estava em estágio avançado e, após muita insistência, ela pediu para o companheiro buscar o corpo da criança, que foi levado ao hospital enrolado em uma toalha e dentro de uma caixa de sapato, conforme a decisão da Justiça que determinou a prisão do casal.

Henrique disse à polícia que não tinha conhecimento da gravidez. No entanto, a Justiça entendeu que, conforme conhecimento comum no meio médico, é difícil realizar um parto sozinho. Além disso, após o nascimento da criança, nenhum dos dois foi em busca de socorro médico, ainda de acordo com a Justiça.

Portal Guaíra com informações do G1-PR


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