[dropcap color=”#dd3333″]A[/dropcap] Justiça mandou soltar Cleverson Vargas, que é réu em um processo que apura a morte da youtuber Isabelly Cristine Santos, de 14 anos. A decisão foi publicada no fim da noite de sábado (15) e, de acordo com a defesa, ele não tinha sido solto até a publicação desta reportagem.

Isabelly foi baleada na cabeça, em de fevereiro deste ano, no Balneário Canoas, em Pontal do Paraná, litoral do estado. Ela estava em um carro com a mãe e dois amigos da família. A jovem chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital.

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Cleverson e o irmão Everton Vargas estão presos há 10 meses e ambos foram denunciados por envolvimento no crime. Os irmãos alegam que foram ameaçados após uma fechada no trânsito. Cleverson dirigia o carro, e Everton é apontado pela acusação como autor do tiro que matou Isabelly.

Por telefone, o advogado da família de Isabelly, que atua como assistente de acusação no processso, informou que não vai se manifestar no momento. Uma nota deve emitida durante a semana.

A defesa de Cleverson disse que a decisão foi acertada e que ele é inocente.

Em nota, o advogado informou que os irmãos nunca negaram o episódio e sustentam, desde as prisões, que os disparos efetuados por Everton foram uma reação ao que os dois interpretaram como uma tentativa de assalto, e que o tiro atingiu acidentalmente a vítima.

A decisão
O processo ao qual os irmãos respondem está na primeira fase, que vai definir se eles serão ou não julgados pelo Tribunal do Júri.

Após o depoimento de testemunhas e o interrogatório dos réus, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou as alegações finais da acusação, em 30 de novembro.

Segundo a decisão da juíza Carolina Valiati da Rosa, da Vara Criminal de Pontal do Paraná, nas alegações finais, a Promotoria se posicionou a favor da soltura de Cleverson, além de pedir que ele não seja julgado pelo júri popular e responda na Justiça apenas pelo crime de embriaguez ao volante.

Para a juíza, não há provas que embasem a versão de que Cleverson reduziu voluntariamente a velocidade do veículo que dirigia, para possibilitar que o irmão atirasse contra o carro onde estava a vítima.

“Também não há provas de que tinha conhecimento de que o corréu portava arma de fogo”, diz a decisão.

Rosa determinou, no entanto, que Cleveron cumpra algumas medidas cautelares, como não se ausentar da Comarca em que mora sem prévia autorização judicial e comparecer mensalmente em juízo para informar e justificar suas atividades.

Relembre o caso
Isabelly foi baleada por volta das 2h do dia 14 de fevereiro, no Balneário Canoas, em Pontal do Paraná. Ela foi atingida um pouco acima do olho esquerdo, chegou a ser socorrida, mas não resistiu e morreu no hospital.

Isabelly estava no banco de trás do carro, ao lado da mãe. Na frente estavam um amigo e o pai do amigo, Herbert Luiz de Félix, que dirigia o veículo.

A youtuber tinha ido até o balneário de Shangri-la, em Pontal do Paraná, onde fez uma entrevista com o MC Gustta para o canal dela. No momento dos disparos, eles voltaram para Paranaguá, também no litoral, onde moravam.

Herbert disse em depoimento à Polícia Civil que foi fechado por um carro pouco antes do crime. Ele relatou ainda que, logo após a fechada, o carro parou a cerca de 60 metros e que um dos ocupantes do veículo, sem descer do mesmo, efetuou três disparos contra o carro onde estava Isabelly.

Os irmãos alegam que foram ameaçados e agiram por “instinto de defesa”.

Em nota, o advogado alega que o depoimento de um policial militar, que atendeu a ocorrência logo após os fatos, desmentiu a versão de Herbert. De acordo com Claudio Dalledone, o policial ouvido pela Justiça disse que Herbert voltou para tirar satisfações com os irmãos após a “fechada” no trânsito.

A denúncia
Everton foi denunciado pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe e também vai responder por porte ilegal de arma de fogo e munição.

Já Cleverson Vargas, que dirigia o veículo, também tinha sido denunciado por homicídio qualificado, mas como partícipe, e por embriaguez ao volante.

Conforme a denúncia, as investigações policiais demonstraram que não houve situação de legítima defesa, como alegam os denunciados.

Segundo o promotor, os irmãos foram os responsáveis pelo incidente de trânsito na PR-412, que antecedeu os disparos e quase acabou em acidente.

A denúncia informa que o carro em que estava Isabelly realizava uma ultrapassagem regular, quando o carro em que estavam os denunciados saiu da pista exclusiva de conversão à esquerda para realizar uma conversão à direita.

Foi nesse momento que o carro em que estava a vítima sofreu uma “fechada” e precisou fazer retornos para desviar das tartarugas, antes de voltar ao seu trajeto normal.

De acordo com o promotor Gladyson Sadao Ishioka, o fato de estarem sob o efeito de álcool não exime os dois da responsabilidade penal e não serve como justificativa para que aleguem que estavam em situação de iminente agressão.

Portal Guaíra com informações do G1