A esposa de Cláudio José de Oliveira, conhecido como ‘Rei do Bitcoin’ e suspeito de cometer uma fraude bilionária em simulações de negociações de criptomoedas, voltou a ser presa pela Polícia Federal na sexta-feira (16), em Curitiba.

De acordo com a Polícia Federal, Lucinara Oliveira descumpriu medidas cautelares que determinavam que ela não entrasse em contato com outros investigados pela fraude.

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Segundo a PF, ela mandou mensagens a outros investigados a pedido de Cláudio José.

Ela chegou a ser presa no dia 5 de junho com outros quatro suspeitos, quando a operação que investiga as fraudes foi deflagrada, mas logo foi liberada. Apenas Cláudio José de Oliveira continuava preso, segundo a PF.

A polícia informou que ela usou um celular novo, recém adquirido, para fazer o contato. O aparelho foi apreendido para a polícia verificar se houve descumprimento de outras medidas.

Investigação
De acordo com a PF, o aprofundamento das investigações aponta que Lucinara Oliveira mentiu em depoimento à polícia. Ela disse que não era mais esposa de Cláudio José de Oliveira de fato, que só era casada com ele no papel.

No depoimento, ela disse que ele tentou resolver os problemas do grupo quando as contas dos clientes foram bloqueadas e eles não conseguiram mais sacar o dinheiro que tinham.

Segundo a PF, no entanto, as investigações apontam que os dois mantém um relacionamento estreito. “Ambos podem estar compartilhando e ocultando das autoridades possível carteira de criptomoedas”, informou a polícia.

A polícia informou que a suspeita foi presa para que não haja “ajuste de versões entre os investigados” e para “inibir continuidade de delitos”.

O G1 tenta contato com a defesa da investigada.

Fraudes
As corretoras ligadas ao ‘Rei do Bitcoin’ passaram a ser investigadas em 2019, após o proprietário registrar um boletim de ocorrência afirmando que havia sido vítima de um ataque cibernético. À época, os valores de todos os credores foram bloqueados pela empresa.

Com o passar das investigações e com a falta de colaboração do proprietário da empresa, a Polícia Civil e o Ministério Público do Paraná desconfiaram que o ataque cibernético era falso e que o grupo havia cometido crimes, como estelionato.

Após denunciarem o suposto ataque cibernético, o grupo suspeito prometeu aos credores que devolveria os valores bloqueados em parcelas. Apesar disso, segundo a PF, os valores nunca foram quitados.

Ainda em 2019, a Justiça concedeu ao grupo uma ordem de recuperação judicial, o que interrompeu as ações cíveis que a empresa respondia.

Durante o processo, no entanto, segundo a PF, o grupo prestou informações falsas e enganou o Judiciário.

Segundo o delegado que comentou a operação, um dos investigados informou à Justiça que tinha 7 mil criptomoedas. A informação, no entanto, era falsa.

No ano seguinte, as investigações identificaram que o grupo negociava contratos de investimento coletivo sem registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Com isso, a PF passou a apurar o caso.

As investigações levantaram a suspeita de que o líder do grupo desviava os valores dos clientes para benefício próprio. Segundo a polícia, o grupo usava um sistema próprio que apenas simulava a negociação das criptomoedas.

Para atrair investidores, os suspeitos ostentavam bens de luxo e faziam grandes eventos.

Conforme a PF, o líder do grupo possui uma condenação na Suíça por crimes de estelionato e falsificação de documentos.

Portal Guaíra com informações do G1