Cristiana Brittes, de 36 anos, esposa do assassino confesso do jogador Daniel Correa Freitas concedeu uma entrevista exclusiva ao repórter do Roberto Cabrini. A conversa foi ao ar na noite de segunda-feira (9).

Cristiana recebeu Cabrini na residência da família Brittes em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, onde tudo começou. Deitada na cama que dividia com o marido agora preso, ela lembrou de quando se deparou com Daniel no local:

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“Ele estava em cima de mim, pegando nos meus seios, estava de cueca, com o pênis de fora esfregando em mim. E aí, nesse momento, eu não estava entendo o que estava acontecendo e ele falava ‘Calma, calma é o Daniel’. Daí, eu gritei, pedi socorro e depois já não sei descrever exatamente o que aconteceu”, contou.

Ela também falou sobre a reação de Edison Brittes momento em que flagrou o atleta no quarto:

“Ele[ Daniel] tava em cima de mim e ele foi pro lado. Nesse momento que ele foi pro lado, o Edison pulou e já pegou ele pelo pescoço. falou ‘Cara, o que você está fazendo na minha cama? É minha mulher, é minha cama!’. Aí, eu falei calma Junior, vamos chamar a polícia, mas ele estava totalmente transtornado, não parecia que era ele, parecia que era outra pessoa. Ele jamais ia parar. Aí, a porta ainda estava trancada, eu pulei a janela e fui pela sala para pedir ajuda”

Ela – que é ré no Caso Daniel por fraude processual, corrupção de menor e coação do curso do processo – acredita não teve nenhum responsabilidade na morte do jogador. E, como desde o princípio, continua a afirmar que foi vítima de importunação sexual. “Eu fui vítima do Daniel, eu fui importunada sexualmente por ele. A minha família foi destruída por ele”.

No entanto, Cristiana admite que nada justifica o crime: “Não justifica, mas eu não tenho nenhuma responsabilidade na morte dele. Muito pelo contrário, eu fui uma vítima dele”, reforçou.

“Eu acordei vivendo um pesadelo. É muita dor, é muito sofrimento. Minha vida foi destruída naquele dia também. Eu fui presa, eu perdi praticamente tudo, minha dignidade, a minha honra, fui violada como mulher. A minha família foi destruída”, Cristiana Brittes.

Indagada sobre o assassinato brutal do jogador, ela afirmou que nunca quis que Daniel fosse morto e que é muito duro saber que o marido fez o que fez. “É muito triste, eu procuro não pensar que o meu marido, pai das milhas filhas fez isso tomado por ódio, por raiva. Eu nunca quis saber como foi e não quero saber. […] Eu nunca tive uma conversa com ele sobre isso. Ele nunca me falou nada e eu nunca perguntei porque eu procuro não pensar que ele teve coragem de fazer isso. Pra mim, ele jamais teria coragem de fazer isso”, pontuou.

“Que mandou o Daniel foi o meu marido, mas graças as atitudes dele. Ele provocou a morte dele quando entrou no meu quarto, quando ele não respeitou a minha cama, quando ele não me respeitou, eu jamais dei qualquer intimidade pra ele”, Cristiana Brittes.

Chorando, ela também lembrou que após matar e decepar o pênis do jogador, Edison Brittes chegou em casa, abraçou a filha Allana Brittes e pediu desculpas. “Ele abraça ela e fala ‘Me perdoa, filha. Me perdoa”.

Relembre a morte do jogador Daniel
O jogador Daniel foi morto brutalmente na manhã de 27 de outubro de 2018, após uma confusão ocorrida na residência dos Brittes. Na ocasião, cerca de 15 pessoas estavam na casa participando de um after como continuação do aniversário de Allana Brittes, que havia ocorrido em uma casa noturna de Curitiba.

Daniel foi flagrado por Edison Brittes em cima de sua esposa Cristiana Brittes no quarto do casal. Segundo o depoimento de Cristiana Brittes, ela teria acordado com atleta apenas de cueca no local. A defesa da família Brittes alega que o jogador tentou estuprar Cristiana enquanto os advogados da família de Daniel afirmam que tudo não passou de uma brincadeira infantil e de mau gosto do jovem.

O resultado do flagrante foi o espancamento do jogador ainda na casa dos Brittes e seu assassinato na Colônia Mergulhão, uma área rural de São José dos Pinhais. Ele teve seu pescoço parcialmente decapitado com uma faca de churrasco e o órgão sexual extirpado por Edison Brittes.

Eduardo da Silva, Ygor King e David Willian da Silva estavam presentes no momento em que o jogador foi morto em uma plantação de pinus. Todos negam a participação direta no crime. No entanto, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) não acreditou em suas versões e indiciou os três por homicídio.

Nos dias que seguiram após o assassinato, a família Brittes tentou convencer as testemunhas, que estavam na casa, a confirmarem que o jogador havia ido embora sozinho do local. No Instagram, Allana Brittes postou fotografia com Daniel como forma de luto, além de mentir para Eliane Corrêa, mãe do jogador, sobre o que havia ocorrido. Edison Brittes chegou a ligar para Eliane, desejar os pêsames e oferecer auxílio em um momento tão difícil.

Portal Guaíra com informações da RIC TV