Uma família que mora em São Paulo está esperando pela liberação do corpo de um familiar que está retido no Instituto Médico-Legal (IML) de Paranaguá, no litoral do Paraná, há 116 dias. Segundo a Polícia Civil, o homem foi assassinado no dia 24 de março, no bairro Tabuleiro, e tinha uma identidade falsa.

No Paraná, ele era conhecido como Nelson de Jesus e, pelos documentos, nasceu em 1965. Em São Paulo, segundo a família, ele usava o nome de Sérgio Teodoro Costa, nascido em 1963.

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A demora pela liberação, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), é porque o homem só pode ser enterrado após a comprovação da verdadeira identidade. O fato de ele possuir dois RGs, segundo a Sesp, acarreta crime de falsidade ideológica e isso ainda precisa ser apurado.

“Há ainda a necessidade de se saber qual nome realmente pertence aquele corpo. Para isso, a Polícia Científica faz exames, perícias e confrontamentos a fim de esclarecer qual é a identidade da pessoa”, explicou a secretaria de Segurança.

“Eu acho que essa demora é só porque ele era bandido. Eu não nego isso, nossa família estava afastada dele justamente por isso, porque não compactuávamos do mesmo estilo de vida. Mas 116 dias é muito tempo. Morto não paga o que deve”, disse Sueli Lauriano da Silva, uma das filhas do homem.

A Polícia Científica disse ainda que aguarda um posicionamento do Poder Judiciário quanto à autorização para a liberação do corpo.

Sueli, que mora no Jabaquara, em São Paulo, disse ainda que apesar de saber que o pai tinha envolvimento com o mundo do crime, fica com o coração na mão em não poder dar pelo menos um sepultamento digno a ele.

“Nós estamos com o coração na mão, ainda mais porque não podemos sair pra resolver as coisas por causa da pandemia. Não sabemos quando vão liberar, como vamos fazer porque não temos condições de ir ao Paraná por falta de dinheiro também. A família inteira está dilacerada e é muito doloroso. Estamos esperando o aval da Justiça, mas está demorando muito”, desabafou Sueli.
O G1 aguarda um posicionamento do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) sobre o andamento do processo.

O assassinato
Segundo a delegada Sâmia Cristina Coser, o homem foi morto a tiros na frente da casa onde morava. Segundo ela, não fazia muito tempo que ele tinha se mudado para Matinhos.

“Teria alguma coisa a ver com o fato de que, no passado, ele tinha envolvimento com tráfico de drogas. E aí, possivelmente, eles estavam com medo que ele voltasse a traficar na região”, explicou a delegada sobre o que, possivelmente, teria motivado o crime.

Os dois suspeitos de cometer o crime estão presos, segundo ela.

Ainda conforme a delegada Sâmia, a vítima tinha mais de uma passagem pela polícia no Paraná, mas não soube especificar por quais crimes. Em São Paulo, segundo ela, ele tinha passagens por roubo.

“Em Matinhos, ele só era conhecido como Nelson de Jesus. Ele já tinha sido preso, inclusive, com esse nome. Então, todas as fichas criminais, que existiam dele no Paraná, estão com o nome de Nelson de Jesus. Fazia muito tempo que ele fazia uso de documentos falsos, e as pessoas ficaram próximas a ele em Matinhos e nem imaginavam que ele pudesse ter outro nome”, detalhou a delegada.

Portal Guaíra com informações do G1 PR