O suspeito de tentar matar a namorada, em Paiçandu, no norte do Paraná, disse no interrogatório, na terça-feira (17), que espancou a vítima por ciúmes, segundo a 1ª Vara Criminal de Maringá, também no norte.

Michele de Souza Brito foi agredida com socos e chutes na cabeça durante um churrasco, em 7 de setembro de 2019. Atualmente, a vítima tem 34 anos e vive em estado vegetativo como sequela das agressões, segundo a família.

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Na primeira audiência do caso, Wheber de Oliveira Filho, de 27 anos, disse em depoimento que não lembra ao certo como as agressões ocorreram. Ele é suspeito de feminicídio e lesão corporal.

“Eu lembro que ela tinha pegado o meu telefone, tinha olhado, aí não tinha achado nada. Aí fiquei com raiva, peguei e quebrei o telefone. Aí peguei o telefone dela naquele momento para olhar, tinha perguntado para ela se podia, ela não deixou, eu peguei. Em determinado momento, em uma das mensagens, constatei o que eu já desconfiava, o caso dela com outra pessoa. Foi onde eu perdi a cabeça naquele momento, não me lembro muito bem como que aconteceu tudo ao certo. Me lembro de ter agredido ela, não me lembro de qual forma.”

De acordo com a mãe da vítima, Marilúcia de Souza Brito, a filha não reconhece as pessoas, usa sonda para se alimentar e vive acamada.

Além disso, segundo a mãe, a situação prejudicou a vida financeira da família, pois ela deixou de trabalhar para cuidar da filha e passaram a depender de doações.

“Aquela menina perfeita, bonita, que não tomava um comprimido, nunca foi doente, agora ela está aqui acamada, nem remédio não resolve para ela agora. Eu choro todos os dias, todas as noites, está sendo muito doído para mim”, disse.

Conforme Marilúcia, Michele tem uma filha de 15 anos, que chora constantemente ao ver a situação dela.

Wheber disse na audiência que gostava da namorada e se arrependeu do que fez.

“Eu já estava namorando há algum tempo, gostava muito dela, estava até pensando em morar com ela, tinha planos de morar junto. […] Estou muito arrependido pelo que eu fiz, pela forma que ela está vivendo hoje. Se eu pudesse voltar no tempo, jamais cometeria uma loucura daquela.”

A defesa de Wheber disse que sustentará nas alegações finais que o cliente nunca teve a intenção de matar a Michele, mas que houve um descontrole porque ele havia bebido demais e perdeu a cabeça por ciúmes.

Investigação
O crime aconteceu durante uma reunião de amigos. Depois de ser violentamente agredida por Wheber, a namorada foi levada em estado grave ao hospital.

Michele ficou 20 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e passou por cirurgias, mas ficou com graves sequelas.

Na audiência de terça, a Justiça também ouviu uma das principais testemunhas, o dono da casa onde o crime aconteceu, que também foi agredido por Wheber ao tentar defender a jovem.

“Me lembro do Maurílio ter vindo para cima de mim, para tentar me segurar, ele veio me dando golpes de socos, um acertou o nariz, onde teve um corte, e lembro que comecei a entrar em luta corporal com ele, onde ele veio a cair e eu lembro que eu fui embora”, disse o suspeito.

Durante o depoimento, a testemunha confirmou toda a violência que a vítima sofreu.

“Do nada ele começou a discutir com ela, brigar e xingar. Aí levantou e já partiu para a agressão. Ele deu um murro no meio da cara dela, ela caiu na área, aí foi a hora que eu entrei no meio. Ele foi, me acertou. Eu caí. Eu fui levantar, hora que eu vi ele estava pisoteando a cabeça dela”, relembrou a testemunha.

De acordo com a testemunha ainda, o objetivo do suspeito era tirar a vida de Michele.

“Ele estava apoiado no batente da porta e pisoteando a cabeça dela. Foi na hora que acordei e vi isso. Pelo jeito que ele fez, queria matar ela. A intenção dele era matar”, contou.

Suspeito
Segundo a Polícia Civil, o suspeito foi preso em dezembro de 2020, após ficar mais de 1 ano e três meses foragido.

A prisão ocorreu em uma operação conjunta das policias do Paraná e Mato Grosso do Sul. Ele está preso na penitenciaria de Dourados (MS).

Segundo a Policia Civil, Wheber tinha outros mandados de prisão, por furtos e roubos de veículos. Para a Justiça, ele informou que ficou preso entre 2010 e 2018.

Portal Guaíra com informações do G1