GAECO_Grampos telefônicos obtidos com autorização da Justiça pela Operação Vortex, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), mostram um dos delegados denunciados pelo Ministério Público do Paraná conversando com outra pessoa sobre o funcionamento do esquema que envolvia o pagamento de propina para não fiscalizar lojas de autopeças e desmanches da capital do Estado.

“E aí o chefe lá da divisão queria que eu liberasse para os caras para cortar carros. Os caras ofereceram R$ 70 mil por mês, e ele queria que eu pegasse o dinheiro para deixar os caras cortarem carros, entendeu?”, diz o delegado numa conversa telefônica com outra pessoa.

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“Não existe nada que comprove a minha participação no esquema criminoso. Nunca recebi nenhum dinheiro de loja de autopeças ou qualquer outra pessoa. Nunca houve nada disso, essa pessoa está mentindo”, reagiu o chefe da delegacia na época da gravação, Luis Carlos de Oliveira.

O MP denunciou na quinta-feira quatro delegados, 15 investigadores, um agente de apoio e três comerciantes, num total de 23 pessoas. Segundo as investigações, havia uma quadrilha especializada em extorquir dinheiro de comerciantes de ferro-velho instalada na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos. O pagamento seria feito em troca do silêncio dos policiais.

Segundo o Gaeco, a média mensal de arrecadação com propina era de R$ 30 mil, mas o valor chegou a R$ 50 mil em algumas ocasiões.