(Foto: Jessica Griffin/The Philadelphia Inquirer via AP)

Joe Ligon tinha 15 anos quando foi preso por participar de uma série de roubos e agressões que provocaram a morte de dois idosos. Ainda hoje, aos 83, ele diz que ajudou nos roubos, praticados por um grupo de adolescentes alcoolizados, mas que não teve nenhum envolvimento com as mortes. Ainda assim, passou 68 anos preso por causa dos crimes.

Ele foi a pessoa mais velha nos EUA a ser detida na adolescência e também a que passou mais tempo presa. Perdeu a chance de sair antes porque não queria liberdade condicional, mas desejava ser “livre de verdade”. O que agora conseguiu.

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Seu destinou começou a mudar em 2017, depois que sua pena de prisão perpétua foi comutada para “35 anos a perpétua”, o que lhe daria o direito de solicitar a condicional após o cumprimento de 35 anos. Isso aconteceu porque a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a prisão perpétua automática para crianças (que ele tinha recebido aos 15 anos) é cruel e incomum.

“Com a liberdade condicional, você tem que ver o pessoal da condicional de vez em quando. Você não pode deixar a cidade sem permissão da liberdade condicional. Isso é parte da liberdade para mim”, disse Ligon ao jornal “The Philadelphia Inquirer”, admitindo que é “muito teimoso”.

Colegas beneficiados pela mesma medida tentaram convencê-lo de que ele poderia tentar recorrer já fora da prisão, mas ele preferiu continuar sua luta de dentro da cela.

Foram necessários mais três anos para que seu advogado ganhasse em corte uma ação na qual alegou que sua prisão perpétua era inconstitucional e que sua pena já havia sido integralmente cumprida.

No dia 11 de fevereiro de 2020, Joe Ligon se tornou um homem verdadeiramente livre, da forma como desejava.

Ligon, que era analfabeto quando foi preso, aprendeu a ler e escrever na prisão, onde aprendeu a lutar boxe e desenvolveu uma rotina de treinos físicos que mantém ainda hoje, aos 83 anos de idade.

Ele disse ao “The Philadelphia Inquirer” que lamenta apenas que seus pais e seu irmão não possam vê-lo fora da cadeia, mas que não está triste.

Apesar de estranhar a paisagem ao sair da Instituição Correcional Estadual Phoenix, especialmente os grandes prédios que nunca tinha visto de perto, ele acredita que vai se adaptar bem à vida do lado de fora, onde será acomodado temporariamente com uma família voluntária. Para isso, assistia a muitos noticiários na TV em sua cela e garante que acompanhava tudo que acontecia pelo mundo.

Portal Guaíra com informações do G1