Assassinado a golpes de facas e de flechas. Este foi o trágico fim do policial militar aposentado Arnaldo Alves Ferreira, de 68 anos. Ele era um pequeno produtor rural com terras no município de Douradina, no interior do Mato Grosso do Sul, cujos limites terminavam em uma área de assentamento indígena. A briga pela terra não era novidade no local, mas a brutalidade do crime apenas demonstra que a violência no campo está viva.

Segundo os índios, Arnaldo teria invadido a aldeia e atirado para cima em protesto às invasões em sua fazenda e ao boletim de ocorrência que eles protocolaram na delegacia da cidade contra ele. Os índios reagiram e o torturaram. Uma ambulância foi chamada mas foi impedida de entrar, o socorro só foi possível com a chegada da polícia. E é isto que o vídeo que o SBTMS Rural conseguiu com exclusividade mostra: a chegada da Polícia e policiais colocando Arnaldo ainda vivo na maca. Ele morreu na ambulância a caminho do hospital.

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O produtor rural Arnaldo Alves Ferreira ainda se encontrava vivo e amarrado no chão quando os policiais chegaram
O produtor rural Arnaldo Alves Ferreira ainda se encontrava vivo e amarrado no chão quando os policiais chegaram

Douradina fica localizada a 190 quilômetros de Campo Grande e agora o município entra para as estatísticas de violência no campo. O diretor secretário da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), Ruy Fachini, classificou o assassinato como um ato de covardia e crueldade, pelo fato de envolver cerca de 30 índios contra um só homem. “Infelizmente, produtores rurais e índios são reféns de uma situação de insegurança jurídica que o governo federal precisa resolver”, desabafou Fachini.

Indignado, Ruy Fachini cobrou o julgamento dos embargos declaratórios de Raposa Serra do Sol e a aprovação da portaria nº 303, que visa ao monitoramento das ações da Fundação Nacional do Índio (Funai). “Temos que acabar com esta visão de quem é índio, branco ou negro. Todos nós somos brasileiros. O produtor rural é que segura esse país. É só verificar o peso do agronegócio no Produto Interno Bruto (PIB)”, disse Fachini. Ele acrescentou que no Brasil existem 600 mil índios, que, juntos, detêm 135 milhões de hectares – o equivalente a 13% de todo o território nacional.

De acordo com Fachini, os produtores rurais vivem uma situação de insegurança e os índios estão numa condição muito pior. “O governo federal precisa tomar uma posicionamento para conter estas ações de violência. O índio vive mal e a situação é precária em outros Estados, como no Mato Grosso e Minas Gerais e toda a região Norte”, frisou Fachini. Em novembro do ano passado, o vice-presidente financeiro da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Ademar da Silva Junior, ex-presidente do Sistema Famasul, já havia chamado a atenção para estes problemas depois do suicídio coletivo dos índios da etnia guarany-kaiowa.

Para Ademar Junior, este problema específico surgiu após o cumprimento de uma ordem judicial de desocupação de propriedade rural no município de Iguatemi. “Os índios são tutelados pelo Estado e desprezados pela Funai e pelos governos. Há, ainda, uma forte pressão de organizações não governamentais internacionais, que manipulam a informação de maneira nociva”, destacou Ademir da Silva Junior. Esta declaração foi feita no quadro Opinião, do programa SBTMS Rural. Na ocasião, Ademar Junior pediu aos telespectadores que pesquisassem sobre este problema nacional.

Agora, depois do assassinato do produtor rural Arnaldo Alves Ferreira, a família dele tem que se contentar apenas com os rumos da investigação policial e pedir pela condenação dos assassinos. Um índio foi preso e três são procurados pela polícia.

Fonte: Painel Florestal