A segunda quinzena deste mês de janeiro deve trazer um alívio para a seca no Sul do Brasil, principalmente para o Paraná e Santa Catarina, de acordo com informações da Metsul. A meteorologista Estael Sias destacou que nesta semana uma frente fria avançou pela região, mas as chuvas foram muito escassas para as áreas produtores do Rio Grande do Sul.

Neste final de semana, as chuvas vão continuar em Santa Catarina e Paraná, mas como é costumeiro para o verão nesses estados, os volumes serão irregulares, chovendo muito em algumas cidades e pouco em outras. Isso causa um desparelhamento muito grande na condição das lavouras.

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O pior cenário continua sendo no Rio Grande do Sul, onde mais de 140 municípios estão em situação de emergência, especialmente nas regiões produtoras. “Essa condição está acontecendo porque neste verão parou de chover mais cedo. Desde de novembro os efeitos estão sendo sentidos, tanto que o plantio ainda não está concluído. Agora já há prejuízos irreversíveis na soja e no milho”, frisou a meteorologista.

A previsão é de que umidade vai se espalhar na segunda metade do mês e há uma expectativa de que melhore a situação nos três estados da região Sul. Contudo, deve permanecer as características de verão, com bastante irregularidade e volumes maiores no Paraná, Santa Catarina e norte do Rio Grande do Sul.

Porém, mesmo com as chuvas previstas, o cenário ainda não é positivo pois os volumes indicados não têm capacidade para reverter os prejuízos nas lavouras. “O que tem é um fôlego, mas não dá para dizer que vai reverter”, declarou Sias.

La Niña
Conforme ela destacou, o Brasil passa por uma sequência de dois anos sob influência do fenômeno La Niña, por isso parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul também sentem os efeitos da seca. De acordo com Sias, neste momento o La Niña deve estar atingindo seu ápice, e, gradativamente, até o outono, vai perdendo força.

Entretanto o fenômeno vai influenciar o regime de precipitação de chuvas por todo o verão. “Vai continuar com contraste de muita chuva no norte e pouco no sul. No mês de março isso será ainda mais severo. Durante a colheira, estará bem seco. O outono será um período de transição. Não acontece de uma vez, é um processo gradual”, explicou.

A escassez de chuva continuará sendo motivo de preocupação durante o início de março, pois é a umidade nesse período continua sendo importante para o ciclo da soja, principalmente devido ao replantio realizado no início deste ano por alguns produtores.

“Para que haja uma recuperação, um equilíbrio na conta, seria necessário mais meses de chuvas abundantes e generalizadas, mas isso só acontece nos meses de inverno, então vai demorar para acontecer uma reversão nesse quadro. Acredito que só vai acontecer durante o inverno de 2022. Até lá ainda falaremos de estiagem”, completou Sias.

Temperaturas altas e possibilidade de tempestades
Outro fator destacado pela meteorologista foram as altas temperaturas registradas na parte sul da América do Sul. Segundo ela, registros de temperaturas de 40°C no Rio Grande do Sul são normais esporadicamente. Porém, houve registros de temperaturas próximos aos 40°C e baixa umidade durante todo o final do ano. Além disso, em províncias da Argentina e no Paraguai os termômetros chegaram aos 45°C, o que não é normal. Conforme Sias destacou, essa é uma combinação perigosa, que traz um estresse hídrico muito grande para as lavouras.

Além de tudo, as altas temperaturas podem desencadear temporais, o que também é motivo de preocupação para os produtores. “Calor é o combustível, então quando a chuva avança sobre o ar quente, as nuvens se desenvolvem de forma explosiva. A atmosfera vai sempre buscar um equilíbrio, então quando tem pico de aquecimento, para retomar a temperatura normal, é preciso que haja temporais. Então devem ocorrer temporais e chuvas de granizo, que também levam prejuízos para os produtores”, explicou a meteorologista.

Portal Guaíra com informações do Notícias Agrícolas