(fotos: Sandro Mesquita/O Presente)

Não é só a pandemia do novo coronavírus que tem assustado a população, consumidores também andam assustados com o aumento nos preços de alguns produtos.

Entre os que mais apresentaram elevação de valor durante o último mês estão as máscaras de proteção, o álcool gel e o leite.

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Segundo o coordenador do Procon de Marechal Cândido Rondon, Marcos Vinícius Fediuk, no município farmácias e supermercados são os campeões em denúncias por parte de consumidores relatando preços acima dos praticados antes da pandemia.

Conforme Fediuk, a agência local segue a linha de atuação dos Procons do Brasil, que é a notificação dos estabelecimentos para que apresentem as notas fiscais de entrada e de saída dos produtos, ou seja, de compra junto aos seus fornecedores e de venda para os consumidores finais, em períodos distintos. “Assim, temos pedido notas fiscais de um período que antecedeu a pandemia e de um período já atingido por ela para que a gente possa fazer o comparativo desses documentos e assim também avaliar as margens de lucro praticadas antes e já no meio da crise”, conta.

De acordo com ele, esse é o método mais eficiente para averiguar se houve abuso ou aumento do preço. Fediuk explica que há uma diferença entre os dois conceitos. “O preço abusivo é aquele fenômeno que ocorre quando o preço de um produto sobe sem uma justa causa, sem uma causa justificável e, ainda pior, quando o lojista sobe aquele preço meramente para se aproveitar do momento. Já o aumento de preço é um fenômeno normal para a cadeia de consumo, que é motivado por fatores justificáveis, e que ocorre com mais normalidade dentro das relações de consumo”, detalha.

Ele expõe que em praticamente todas as denúncias apuradas pelo Procon rondonense foi constatado aumento e não abuso nos preços. “No comparativo dessas notas fiscais temos identificado a prática da mesma margem de lucro e o mero repasse de um aumento já ocorrido no próprio distribuidor”, expõe.

LEITE
O leite vendido em supermercados é o produto que tem gerado o maior número de reclamações dos consumidores. A caixa longa vida de um litro do produto está sendo vendida, em média, a R$ 5 na cidade.

Fediuk menciona que em alguns estabelecimentos foi verificado que o preço do produto chega do distribuidor já com o aumento.

Não à toa que, nos mesmos moldes que o Procon rondonense notificou os fornecedores locais, órgãos superiores ao Procon, como a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), notificaram há algumas semanas a Associação Brasileira da Indústria de Lácteos Longa Vida (ABLV) e a Associação Brasileira da Indústria do Queijo (ABIQ) para que, no prazo de cinco dias, prestassem esclarecimentos a respeito da política de aumento de preços no período da pandemia do coronavírus no Brasil. “A origem da cadeia de consumo foi notificada para que, em nível nacional, se entenda o que está acontecendo com o leite, por exemplo”, salienta.

ORIENTAÇÃO E DENÚNCIAS
Com relação às orientações aos consumidores, o Procon pede que a população continue informando o órgão sempre que perceber aumentos expressivos em qualquer ramo do varejo. “É importante que essas informações continuem chegando para nós, para que possamos investigar, separar e comparar cada uma dessas situações”, ressalta.

As informações são do O Presente