A fronteira do Brasil com o Paraguai pode serconsiderada hoje uma das mais vulneráveis para a entrada de drogas, armas e contrabando de cigarros em todo o País
A fronteira do Brasil com o Paraguai pode ser
considerada hoje uma das mais vulneráveis
para a entrada de drogas, armas e contrabando
de cigarros em todo o País

Depois do vant (Veículo Aéreo Não tripulado), agora é a vez de a Polícia Federal enfrentar problemas com as lanchas blindadas adquiridas no ano passado em um projeto com promessa de ser pioneiro e inovador no monitoramento da fronteira do Brasil com o Paraguai no combate ao contrabando, descaminho e ao tráfico de drogas e armas.

Há seis meses, O Paraná anunciou a chegada da primeira embarcação à DPF (Delegacia da Polícia Federal) de Guaíra. Desde então ela nunca foi utilizada para monitoramentos e operações.

-------------- Notícia continua após a publicidade -------------

A promessa do estaleiro fabricante que a desenvolveu exclusivamente para esse projeto era o de oferecer o que há de melhor nas embarcações náuticas no País.

Segundo informações apuradas, os problemas que a impediram de navegar estão nas incompatibilidades do equipamento com as exigências estipuladas no Edital. Na Polícia Federal ninguém quis falar sobre o assunto nem especificar que incompatibilidades são essas, mas sabe-se, por exemplo, que a primeira embarcação blindada com sistema antirradar produzida no Brasil com 100% de materiais recicláveis e motores Evinrude com capacidade de deslocamento ágil, com velocidades próximas aos 100 quilômetros por hora e que custou aos cofres públicos R$ 1,8 milhão, foi adquirida pelo DPF (Departamento de Polícia Federal) e utilizada por apenas uma semana, durante as fases de testes.

Desde sua chegada ela estava atracada na base do Nepom (Núcleo Especial de Polícia Marítima), de onde foi tirada há poucos dias e levada de volta ao estaleiro, no Rio de Janeiro.

O DPF foi procurado pela reportagem, mas até o fechamento dessa edição não houve retorno.

Projeto custou R$ 6 milhões

A embarcação faz parte de um projeto audacioso e milionário da Polícia Federal. O contrato prevê a aquisição de três exemplares totalizando quase R$ 6 milhões. Um deles foi enviado à Delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu na última semana de dezembro e o terceiro, que também deveria ter sido encaminhado à DPF de Guaíra, ainda não chegou.

A lancha será operada por agentes da PF, é insubmergível e não pega fogo. Com ela seria possível controlar o que é considerado hoje um dos trechos mais vulneráveis em toda a fronteira brasileira.

Por ter uma baixa assinatura nos radares das outras embarcações a tecnologia dificultaria sua visualização, além de oferecer mais segurança aos agentes. São inúmeros os casos onde contrabandistas e traficantes, ao perceberem que serão interceptados no rio, jogam suas embarcações contra as oficiais. Registros dão conta, inclusive, que até embarcações da marinha paraguaia já teriam alvejado as da PF, do lado brasileiro do rio.

Lancha pesa cinco toneladas, tem,88 metros de comprimento e três metros de largura, ela é considerada o que há de mais moderno em embarcações náuticas
Lancha pesa cinco toneladas, tem,88 metros de comprimento e três metros de largura, ela é considerada o que há de mais moderno em embarcações náuticas

Fonte: Juliet Manfrin – O Paraná

Fotos: Ailton Santos