A Divisão de Reservatório da Itaipu pretende assumir a produção dos alevinos que abastecem os pescadores da Bacia do Paraná 3. Atualmente, todo o material (de 40 mil a 80 mil unidades por ano) é comprado de fornecedores particulares. O objetivo da mudança, de acordo com o técnico Celso Carlos Buglione Neto, é a Itaipu contribuir para evitar a mortandade de peixes, verificada até uma semana após o transporte aos tanques-rede instalados no lago de Itaipu. Em alguns lotes, a perda chega a 100%.

Celso: um dos objetivos é combater a mortandade de peixes
Celso: um dos objetivos é combater a mortandade de peixes

Celso Buglione informa que a principal causa das mortes é a mudança brusca de ambiente. Atualmente, a produção de alevinos é feita em açudes particulares, escavados na terra, que apresentam uma água mais turva, rica em nutrientes e em alimentos vivos – como larvas de insetos e microcrustáceos. Já a água do reservatório de Itaipu é mais cristalina e pobre em nutrientes.

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Por isso, após o transporte dos viveiros de terra para os tanques-rede, os peixes não conseguem se adaptar, desenvolvem enfermidades e morrem depois de alguns dias. A solução encontrada pelos técnicos da usina é levar o processo de produção para o laboratório do Portinho, no Refúgio Biológico Bela Vista, utilizando a água do próprio reservatório e controlando a alimentação.

Na primeira experiência desenvolvida em laboratório, com dez mil alevinos da espécie Pacu, o índice de sobrevivência chegou a 90% e animou a equipe. Agora, uma nova leva está em produção no Portinho. “A fundamentação para a metodologia está desenvolvida. Faltam agora aperfeiçoar o sistema e aumentar a escala [da produção]. Nossa meta é tornar o sistema o mais barato possível para que o pescador incorpore a tecnologia”, antecipou.

Pescadores

De acordo com o coordenador do programa Mais Peixes em Nossas Águas, Irineu Motter, a atividade beneficia cerca de 800 pescadores entre Guaíra e Foz do Iguaçu, em 63 pontos de pesca autorizados pelo Ibama.  Além da venda, a produção é destinada para aldeias indígenas da região e para a merenda escolar. Somente nos cerca de 500 tanques-rede distribuídos na área do reservatório, a produção no ano passado chegou a 51 toneladas de peixe; neste ano, a meta é alcançar 75 toneladas.

Fonte: Assessoria Itaipú Binacional