No fim da reunião o discurso já estava mais ameno e os representantes indígenas prometeram trégua. Afirmaram que vão esperar as medidas que foram anunciadas no encontro que durou mais de três horas, realizado na tarde de sexta-feira, na Prefeitura de Guaíra.

A trégua anunciada tem como base algumas indicações feitas e medidas que serão articuladas. Entre elas, a do prefeito de Guaíra Fabian  Vendruscolo (PT) que reforçou: “O diálogo é o principal canal para as negociações”. “Eu e o prefeito de Terra Roxa (Ivan Reis), que vive uma situação muito parecida com a nossa,somos as pessoas que nesse momento podem ajudá-los. Somos o meio para ir ao Estado pedir aquilo que ele precisa cumprir e à União para aquilo que é de sua responsabilidade”, alertou, ao reforçar que esse processo inicia nesta semana, quando vai a Brasília.

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As principais reivindicações indígenas estão focadas na construção de escolas, atendimento à saúde, saneamento básico e demarcação de terras já que as 13 aldeias – oito em Guaíra e cinco em Terra Roxa – estão em áreas invadidas e causam grande desconforto e risco cada vez mais próximo de enfrentamento com ruralistas e proprietários.

Para o indianista, servidor da Funai (Fundação Nacional do Índio), Diogo de Oliveira, mais do que garantir terras, a necessidade emergencial são as condições básicas de sobrevivência. Para isso, inicia no dia 18 de fevereiro e segue até o dia 5 de março um mutirão para o cadastramento indígena em Guaíra. O cadastro será elaborado em parceria pela Funai e prefeitura, por meio do Cras (Centro de Referência em Assistência Social).

A partir disso essas pessoas comporão o chamado Cadastro Único sem o qual ficam impossibilitados de receber quaisquer benefícios. Os deputados estaduais Ademir Bier (PMDB) e Elton Welter (PT), que também participaram do encontro, destacaram que, caso haja necessidade, estão dispostos a propor a criação de uma Comissão Representativa na Assembleia Legislativa do Estado. A ideia foi de Welter, mas também acatada por Bier.

Gerenciamento de crises

As primeiras negociações do ano fazem parte dos trabalhos do recém-instituído Gabinete de Gerenciamento de Crises, criado pelo poder público de Guaíra. A coordenação é do secretário de Planejamento, Josemar Ganho. “Buscamos respostas de quem precisa participar. O objetivo é unir as partes, dialogar, mas o Gabinete é principalmente para atender às omissões dos governos estadual e federal”. Nessa semana, relatórios do problema e dos riscos de conflitos serão levados, mais uma vez, como situação de urgência ao governo federal.

Fonte: O Paraná