Fazendeiros das áreas ocupadas por indígenas em todo o Mato Grosso do Sul estipularam o preço de R$ 1 bilhão pelo pagamento dos 72 mil hectares que, segundo eles, correspondem à área total das 65 fazendas ocupadas por terenas, guaranis e índios de outras etnias no estado.

Ao comentar o assunto, o presidente da Acrissul, (Associação dos Criadores do MS), Francisco Maia, afirmou que um estudo que lista todas as fazendas em questão, junto com a proposta de venda, já está nas mãos do governo federal desde 2010.

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Segundo Maia, a proposta nasceu de uma solicitação do ex-presidente Lula, para que o governo federal equacionasse, de vez, os conflitos de terra no MS. Na proposta, aparecem identificadas, individualmente, uma a uma das fazendas, sua extensão, a área ocupada por índios e os nomes com assinatura dos fazendeiros que aceitaram deixar as áreas, desde que indenizados. Áreas em conflito, como a fazenda Buriti, constam da relação.

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“Os índios concordam com isso, os produtores desejam isso, a classe política inteira do MS defende isso, então o governo federal já está começando a admitir, junto com os juristas e a AGU (Advocacia Geral da União), essa possibilidade”, afirma Chico Maia.

O presidente da Acrissul afirma que está aguardando uma nova rodada de negociações de produtores com o governo federal, mas acredita que a entrada do Congresso nas decisões sobre o conflito, e de mais órgãos federais na avaliação das áreas passíveis de demarcação, além da Funai, poderão mudar o cenário. Mas adverte, gravemente:

“Se o direito à propriedade não for respeitado, e se os índios continuarem nesse propósito de queimar o que tem pela frente, certamente vai ter o contra fogo”, declarou Maia.

“Tem fazendas dentro desse mapa pretendido pela Funai que eles não invadiram porque eles viram que ia ter resistência. Eles chegaram na Furnas da Estrela e seguraram. Eu acredito na pacificação, mas se os índios continuaram com essa visão doutrinária de ganhar na marra, pode ter certeza que a situação vai se complicar para o lado deles também”.

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Conflito armado

No próximo dia 20 se esgota o prazo dado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, aos índios terenas e fazendeiros na região de Sidrolândia para o início das negociações.

Haroldo Correa Junior, um dos proprietários da fazenda Furnas da Estrela, não invadida, e que se situa dentro da área de 17 mil ha pretendida pelos índios, em entrevista ao canal Rural BR não deixou dúvidas sobre a intenção dos fazendeiros locais, caso não haja acordo.

“Se for possível, nós vamos fazer a retomada dessas áreas porque tem gado sendo lesado, gado de origem registrada. Não vamos deixar por conta, vamos entrar nas áreas invadidas para proteger o gado e esperar que a justiça haja. Nós não podemos deixar invadir. E das áreas que estão invadidas, nós vamos pegar de volta. Os companheiros estão aqui para pegar de volta. Eles estão suplicando para nós pegar de volta.”

Os terenas, por sua vez, já demonstraram o descontentamento com a reunião ministerial com 40 lideranças do último dia 5. Os líderes se comprometeram a não fazer novas ocupações, mas avisam que elas vão recomeçar depois do prazo, por falta de proposta concreta.

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“Resolver a questão só dependia de uma autorização do ministro para concluir as demarcações e ele ficou com medo de cumprir a lei ou faltou boa vontade. Demos 15 dias para que o Governo Federal apresentasse algo de concreto, senão vamos continuar o processo de ocupação”, disse o líder Terena, Lindomar Terena ao Midiamax.

“Entregamos uma lista para eles de terras que não tem impedimentos judiciais para prosseguir com a demarcação e o ministro nos disse que neste momento devem-se evitar novos conflitos, mas nós vamos lutar”, afirmou Lindomar.

Os terenas querem as terras das fazendas Furnas da Estrela e São Sebastião, onde o terena Joziel Gabriel foi baleado e pode ficar paraplégico. Em poder dos terenas estão as fazendas Buriti, Santa Clara, Água Doce, São José, Querência, 3R, Flórida, Lindóia e Bom Jesus.

Fonte: Midiamaxnews