Na última semana, o Município de Guaíra, por meio do Decreto núm. 482/2021, declarou estado de emergência pública em razão da crise hídrica enfrentada na cidade.

Conhecida pelo grande potencial agrícola, Guaíra enfrenta atualmente uma das piores crises por falta de água para a continuidade das atividades de plantio na área rural.

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É difícil de acreditar que uma cidade banhada pelo principal curso de água formador da Bacia do Prata, o Rio Paraná, possa enfrentar esse tipo de situação. No entanto, a falta de chuva, ou seja, de precipitações, prejudicou fortemente os reservatórios que abastecem os limites da cidade.

A situação é muito delicada, por isso o Presidente do Sindicato Rural Patronal de Guaíra, Silvanir Rosset, esteve presente no Gabinete do Prefeito Heraldo Trento, na última quinta-feira (23), para declarar estado emergencial, junto ao Vice-prefeito e Chefe de Gabinete, Gileade Osti.

Vale ressaltar que a água é o mais crítico e importante elemento para a vida humana. Em média, o ser humano necessita de 4 litros de água por dia para manter o bom funcionamento dos órgãos.

Além disso, é amplamente utilizada em quase todos os tipos de atividades diárias, sejam elas relacionadas à higiene pessoal; dos ambientes (principalmente nos últimos anos de pandemia e o reforço da importância na sanitização); produção e manipulação de alimentos; entre outros.

A população guairense enfrenta grandes períodos de calor intenso, e com a consequente seca, queimadas e a devastação de lavouras são observadas na cidade.

De acordo com um levantamento realizado pela equipe da SEMAIM — Secretaria de Agropecuária, Infraestrutura e Meio Ambiente, a região sul do Brasil, com foco na área norte e oeste do Paraná, teve um avanço da estiagem nos últimos meses.

“A precipitação pluviométrica, ou seja, a chuva, vem reduzindo drasticamente ao longo de vários meses, sendo que no mês de outubro foram registrados 488 mm, e no mês de novembro foram registrados apenas 29 mm, índices bem abaixo da média histórica há vários meses”, informou o diretor de Meio Ambiente, Luiz Vieira.

Uma possível explicação para este fenômeno seria a presença de um El Nino Central, que aumenta a temperatura no centro do Oceano Pacífico e altera o regime de chuvas em toda a América do Sul, levando maiores chuvas para a região nordeste, e menos para o sul do Brasil, consequentemente alterando o clima em todo o país.

Conforme já citado, o Município de Guaíra enfrenta diversos problemas em razão deste fato. O gerente regional da SANEPAR informa que a cidade é abastecida por 12 poços artesianos, sendo que um desses poços deixou de operar em razão da falta de água. Os demais continuam operando dentro da capacidade, no entanto, tiveram uma redução no nível da água.

As recomendações para este período são de total conscientização no consumo da água, pois a cidade segue em sinal de alerta. Segundo a concessionária, até o dia 31/12/2021 o funcionamento ocorrerá normalmente, sem a necessidade de racionamento. A partir desta data, se não houverem precipitações, outras medidas serão adotadas.

O diretor de Agropecuária, Michel Kihara, enfatiza: “Na área rural do município, várias lavouras estão enfrentando grandes secas. Desde o último plantio, realizado no mês de outubro, até o mês de dezembro já se passaram cerca de 80 dias, mas lavouras possuem porte de 40 dias, e isso marca percas consideráveis aos produtores, que estão preocupados, por NUNCA TEREM VISTO UMA SECA TÃO CRÍTICA COMO ESTA”.

Dados foram levantados pelo Departamento de Notas do Produtor Rural, no banco de dados do Deral PR — Departamento de Economia Rural do Paraná, acerca do índice de produção agrícola anual em Guaíra nos últimos anos. A média obtida entre os anos de 2017 a 2020 foi de 115.813,65 toneladas de soja, que é a principal fonte de comercialização local.

Devido à grande estiagem, os índices para 2021/2022 não são bons, aponta Michel Kihara. “A estimativa para esta safra é complicada, pelas previsões futuras de chuva, não são boas notícias. Chuva em baixo volume quase todos os dias são apontadas, mas elas não são significativas para mudar o quadro crítico no setor agrícola”, informou o diretor.

Para finalizar, o diretor aponta: “Se hoje chovesse e não faltasse mais água até a colheita, a estimativa é de que algumas pessoas poderiam colher até uns 60 sacos/alqueires, e isso nas condições atuais seria uma excelente produção. Quanto temos uma boa colheita, há áreas que chegam a produzir 180 a 200 sc/alq. No entanto, pode-se dizer que já temos uma queda de produção em aproximadamente 65%. Apesar disso, se a situação não melhorar, a queda será de 100% na produção”.

O vereador licenciado e secretário de Agropecuária, Infraestrutura e Meio Ambiente, Luis Ferroquina, reforça a necessidade da intensificação do consumo consciente da água: “Nunca imaginamos passar por isso, mas a cidade poderá contar com racionamento da água se a situação não melhorar. Todos devem ser extremamente responsáveis nesse período. Esperamos que as precipitações voltem a ocorrer, e as safras voltem a prosperar”.

Portal Guaíra via Assessoria