[dropcap color=”#dd9933″]V[/dropcap]inte e quatro de janeiro de 1998. Esta é uma das datas mais significativas na história recente de Guaíra e, por que não dizer, do Paraná.

Neste dia, debaixo de um sol tipicamente de janeiro na fronteira, o então governador Jaime Lerner e o ex-prefeito Manoel Kuba descerraram a placa de inauguração da maior ponte fluvial do Brasil, a ponte Ayrton Senna. Era um momento muito esperado. A travessia foi feita pela primeira vez não por carros e caminhões, mas por dezenas de atletas de Guaíra e região. A importância da obra também acabou atraindo Vanderlei Cordeiro de Lima, atleta profissional que faria história anos depois, quando foi destaque nas Olimpíadas de Atenas.

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O dia festivo reuniu milhares de guairenses. Também, pudera: foram quase 10 anos de espera e de décadas de lentas travessias de balsa.

A Ayrton Senna foi inicialmente projetada para servir como corpo da barragem de Ilha Grande, que começou a ser construída pela Eletrosul nos anos 1980.

O projeto da usina, contudo, foi abandonado em 1991, no mandato do governo Collor. Os trabalhos na ponte foram retomados pelo ex-governador Roberto Requião em 1994. O governo do Paraná aproveitou o projeto inicial, que havia iniciado a ponte do Mato Grosso do Sul em direção ao Paraná. É por causa disso que a ponte possui a famosa curva na parte central, pois reiniciou pelo lado paranaense, mas fazendo o encaixe com a ponte do lado sul-mato-grossense.

Os anos de espera foram acompanhados com apreensão. E polêmicas. Para construir o canal de navegação e ampliar a altura da ponte, uma exigência da Marinha, que previa a utilização da hidrovia Paraná-Tietê, foram necessárias explosões das rochas que abundam na região, outrora parte do complexo de 7 Quedas. Os explosivos teriam contaminado a água e consequentemente os peixes, especialmente o da espécie cascudo. Os pescadores profissionais acionaram a justiça e mais de uma década depois conseguiram ser indenizados.

As explosões de rochas com dinamites ocorreram para aumentar a profundidade do rio, que atualmente é de aproximadamente 2,5 metros. Amparado por licença ambiental, o DER autorizou as detonações durante três meses, incluindo a época da piracema. Na época, a assessoria jurídica da Colônia dos Pescadores apresentou uma perícia feita pela Universidade Estadual de Maringá, que atestou a redução do estoque pesqueiro.

Hoje, tudo isso ficou para trás. Para frente, ficou apenas o horizonte, fácil de ser cruzado, por onde diariamente passam milhares de veículos, milhares de pessoas, unindo o Centro-Oeste ao Paraná. O Brasil ao Paraguai.

A ponte une o que o rio separa. A ponte nos liga. A ponte hoje é cartão-postal. A ponte é pop (tem até nome de um ídolo mundial). A ponte é nossa.

Portal Guaíra via Assessoria