Imóveis em Santa Catarina

O contrabandista que não teve o nome divulgado, acumulou nos últimos anos, segundo a Polícia Federal, ao menos R$ 16,7 milhões em imóveis, fruto de atividades ilícitas. As aquisições se deram, em grande parte, a partir da conexão com dono de uma construtora no litoral catarinense, que negociou os apartamentos de luxo. Foram pelo menos quatro apartamentos à beira-mar, alguns ainda em construção e outros já prontos.

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Algumas das negociações entre o contrabandista e empresários catarinenses se dava a partir de pagamentos em espécie, segundo o que era declarado pelos próprios investigados e tal fato, não trazia qualquer tipo de receio aos empresários. Pelo contrário, a atividade desenvolvida pelos compradores, parecia não incomodar os investidores, que não se importavam em dividir os voos de jatinho particular com contrabandistas condenados pela justiça e usando tornozeleira eletrônica.

A investigação aponta ainda, por exemplo, que um hotel, de propriedade de um dos contrabandistas investigado, registrado em nome de interposta pessoa, foi anunciado para venda por valor 600% (seiscentos por cento) superior ao que foi declarado em Escritura. O mesmo ocorreu com um sítio/pesqueiro e com outros terrenos em Guaíra/PR. Em contrapartida, o contrabandista investigado adquiriu, dos empresários catarinenses, diversos apartamentos, alguns ainda na planta na região de Itapema, uma das regiões mais valorizadas de Santa Catarina.

Durante as buscas foram identificados documentos de outros imóveis na região do litoral catarinense.

Remessas de dinheiro de Goiás e Minas Gerais

A par do complexo mecanismo de lavagem de dinheiro operado pelo grupo na aquisição de imóveis, a Polícia Federal constatou que o principal investigado utilizava o hotel, outras empresas e até familiares para receber vultosas transferências de valores, advindos de empresas de Goiás e Minas Gerais.

A investigação revelou que o contrabandista era um dos beneficiários, ou seja, apenas um dos “clientes” de uma complexa estrutura formada por empresas fictícias e seus respectivos sócios, tendo como propósito operacionalizar a lavagem dos recursos oriundos do contrabando de cigarros e outros delitos. Isto porque, no mesmo endereço, em Goiânia/GO, existem pelo menos 15 empresas registradas, todas fictícias. Uma destas empresas, em Goiânia/GO que fez remessas de valores para Guaíra/PR, nunca funcionou no endereço em que era registrada.

Das 15, pelo menos três efetuaram remessas de valores para o hotel ou para familiares do investigado, apesar de não possuírem qualquer relação comercial. As pesquisas revelaram ainda que o proprietário destas empresas fictícias, que também é alvo da investigação, é um cozinheiro com renda mensal de aproximadamente dois salários. As empresas fictícias de Goiânia tiveram movimentações financeiras que superam R$ 100 milhões de reais nos últimos meses.

Em Minas Gerais, são empresas de fachada, ou seja, empresas que de fato existem, mas que não possuem relação comercial com a região de Guaíra/PR, mas que mesmo assim efetuaram remessas de dinheiro para o contrabandista. Como exemplo a remessa de valores de uma fábrica de extintores e de uma loja de conveniência em Minas Gerais para o Hotel em Guaíra.

OPERAÇÃO FABULAS

A operação foi batizada de “Fabulas” em referência às histórias fantasiosas e fictícias e que no final sempre possuem um ensinamento moral, uma lição.

Portal Guaíra com informações da Polícia Federal