LANCHA-USADA-POUCAS-VEZES-PELA-PF

Com centenas de postos clandestinos, por onde passam cigarros, drogas, armas e munições, a região do Lago de Itaipu conta com duas lanchas compradas pelo governo federal com a intenção de patrulhar o Rio Paraná. A primeira, adquirida há cerca de dois anos, blindada e que custou milhões, foi usada poucas vezes.

-------------- Notícia continua após a publicidade -------------

De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Polícia Federal no Paraná, Alberto Domingos, a lancha ficou parada por muito tempo. E o problema não tem solução: “Ela foi idealizada para navegação no mar e não em rio, onde há oscilação tão grande no nível”.

Conforme Domingos, por conta disso, a funcionalidade do equipamento deixou a desejar. “Foram milhões investidos, mas não vimos resultados práticos”.

Outra lancha blindada, com motor hidrojato, foi entregue em agosto do ano passado. O Jornal O Paraná obteve informações de que o barco, assim como o anterior, não atende as necessidades da Polícia Federal de Guaíra.

De acordo com Raimundo Francisco Castanon, representante do sindicato em Guaíra, o principal problema é que o rio nos últimos tempos está abaixo do normal. “Não temos como usá-la de forma adequada. Acredito que, se houver mudanças climáticas e o nível do rio aumente, com o retorno de policiais que estavam em férias e também atuando em outras operações, a lancha seja usada”.

Questionado se houve um estudo para a aquisição do barco, já que a lancha anterior foi pouco usada justamente por esse motivo, o policial disse que isso não foi feito. “Apenas os colegas do Núcleo de Policiamento fizeram uma avaliação do que conheciam do aparelho e também de onde ela seria usada”.

Castanon disse ainda que a embarcação, por ser blindada, tem a segurança necessária para fazer a vigilância próximo à ponte. “Mas em locais de difícil acesso, como onde ficam os portos clandestinos, não tem como usar. Precisaria uma lancha com um calado melhor, diferenciado, idealizada para as condições que nossa região precisa”.

Segundo ele, se a lancha nova se enquadrasse nos padrões necessários, certamente a operacionalidade seria bem maior. “Sabemos que a região é entrada de ilícitos, fazemos a fiscalização constante e se tivéssemos todo equipamento não digo que zerariam os problemas, mas certamente diminuiriam”.

Polícia Federal

Com capacidade para três policiais, a nova lancha da Polícia Federal foi entregue em agosto, logo após as operações desenvolvidas na Copa do Mundo. O principal diferencial entre os dois equipamentos existentes em Guaíra, é o motor, sendo a nova a hidrojato e a outra a hélice.

Segundo o delegado da Polícia Federal de Guaíra, Marco Smith, por conta da vazão do rio o equipamento tem ajudado muito pouco. “Claro que é mais do que a outra, porque tem a capacidade de andar em uma lâmina menor de água, mas não é o ideal”.

Conforme Smith, por conta das dificuldades de navegação, o trabalho dos policiais acaba limitado. “Eles precisam fazer o patrulhamento terrestre e aéreo, mais terrestre do que aéreo”.

Guaíra

Mesmo diante da dificuldade em fazer maior patrulhamento pelo Lago de Itaipu, o que poderia ser mais rotineiro com o nível do Rio Paraná normal, os Policiais Federais de Guaíra, seja do NEPOM (Núcleo Especial de Polícia Marítima), ou do NO (Núcleo de Operações), têm feito grandes apreensões na área que compreende a Delegacia de Polícia Federal de Guaíra.

Pra se ter uma ideia, apenas neste início de ano – da primeira apreensão registrada em 06/01/2015 pela equipe do Portal Guaíra, até a mais recente em 30/01/2015 -, o montante de produtos contrabandeados (pneus, cigarros, eletrônicos, vestuário, etc) já ultrapassa os R$ 900 mil, ou seja, por terra ou pela água, o trabalho dos Agentes da Polícia Federal de Guaíra não para.

LANCHA-BLINDADA-EM-GUAIRA

Portal Guaíra com informações do Jornal O Paraná