Um agricultor foi preso na segunda-feira (26) pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Guaíra na BR-163, próximo a Maracajú dos Gaúchos. Marcos Campos, proprietário de áreas agrícolas na região, foi chamado pelo funcionário, Fernando Campos, para decidir o que poderia ser feito, após abordagem da PRF no deslocamento da colheitadeira para outra área com soja. Ao chegar, o agricultor alega que foi impedido a seguir com a máquina e foi preso.

Renata Rossett, esposa do trabalhador rural, disse que não havia como levar a máquina de outra forma. “Como vários outros agricultores, temos terras dos dois lados da pista e fica totalmente inviável financeiramente solicitarmos que uma prancha, de Marechal Cândido Rondon, venha para cá só para atravessar o maquinário”.

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A mulher conta que os policiais faziam ronda e ao verem seu marido, que já estaria na estrada de chão, fizeram a volta e chegaram dando voz de prisão. “Eles não quiseram nem conversar, não deram uma advertência ou uma multa sequer. Meu marido ligou para meu cunhado, que é o dono da colheitadeira informando que a polícia ia prender o maquinário e então ele foi até lá”.

Quando o proprietário chegou, o policial disse que iria apreender a máquina. “Aí o policial disse que se ele subisse seria preso. Foi uma humilhação. Os dois estavam apenas fazendo o serviço deles, não tiveram a chance nem de conversar”.

Enquanto falava ao celular com seu advogado, Marcos foi algemado e levado até o posto de fiscalização da PRF de Guaíra. “Durante todo o tempo a policial que estava junto ficou apontando a arma para o meu cunhado como se ele fosse um criminoso. Até um tiro, não sei se para assustar ou não, foi dado. Soubemos depois que eles voltaram até o local para buscas a cápsula deflagrada, mas não encontraram nada”.

A mulher disse ainda que enquanto o homem era conduzido para a viatura da polícia, sua sogra foi empurrada. “Ela acompanhou o filho, como qualquer mãe faria, e quando chegou ao posto questionou o excesso e foi ameaçada”. Segundo ela, somente com a chegada do responsável pelo posto de do advogado da família que a situação ficou mais calma.

Depois de feito todo procedimento pela PRF, Marcos foi encaminhado a Polícia Federal de Guaíra. Lá ele foi ouvido pelo delegado e liberado posteriormente. Ele respondeu apenas um termo circunstanciado. A família analisa a possibilidade de se entrar na Justiça em relação ao caso.

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NEGATIVA

PRF diz que prisão foi por desacato

Em relação a prisão, a assessoria de imprensa da PRF de Curitiba informou que o homem foi preso por desobediência e desacato.

Conforme o responsável pela PRF de Guaíra, Higor Braga, houve uma violação de uma norma de trânsito. “A equipe fazia rondas e avistou o agricultor transitando com o implemento agrícola, que ocupava duas faixas da rodovia, e foi feita escolta até a estrada rural mais próxima”.

Segundo Higor, o homem obedeceu prontamente, e enquanto os policiais faziam o procedimento administrativo, solicitando a documentação necessária, um irmão do agricultor chegou no local bastante exaltado. “Ele desacatou os policiais, disse que a colheitadeira seguiria até o destino, proferiu palavras de baixo calão e, no momento em que foi dada voz de prisão, ele acabou agredindo fisicamente o policial, que acabou algemando-o”.

Questionado a respeito do uso de força ou mesmo de um possível disparo de arma de fogo no local, Higor disse que os policiais usaram da força necessária. “Houve um princípio de tumulto, havia um número considerável de pessoas tentando impedir a prisão do homem, que naquele momento cometia um crime, e a equipe agiu de forma proporcional”.

Higor ressalta que o homem infringiu prerrogativas. “Todo procedimento adotado foi encaminhado à Polícia Federal e, caso alguém vislumbre algum tipo de excesso e venha a fazer algum tipo de denúncia, isso será investigado, seja pela corregedoria da PRF ou mesmo pela Polícia Federal”. Segundo ele, não é possível afirmar se os policiais efetuaram algum disparo ou não. “Não estava lá no momento e não temos essa confirmação. O vídeo que foi divulgado nas redes sociais ou mesmo feito pela policial não mostra nenhum excesso. Inclusive o próprio uso das algemas só aconteceu porque a situação exigia isso”.

Fotos: Ricardo Rossett
Fotos: Ricardo Rossett

LEGISLAÇÃO

Higor ressalta que transitar com máquinas agrícolas na rodovia não é crime e que, no caso dos tratores, por exemplo, ele precisa estar licenciado, com farol, luz de posição e habilitado no mínimo na categoria C ou superior. “No caso específico da colheitadeira ela não pode transitar pela rodovia porque uma resolução do Conselho Nacional de Trânsito determina peso e dimensões para os veículos”. A colheitadeira no caso, conforme o policial excede os limites previstos. “As pessoas precisam entender que a restrição não é algo imposto pela Polícia e sim por uma determinação legal. O policial não tem margem para autorizar ou não a circulação”.

Sobre o caso em si, o policial citou que a colheitadeira foi escoltada por cerca de mil metros e que, diferentemente do que foi dito em comentários nas redes sociais e pelo agricultor que foi preso e não dirigia a máquina, o implemento não fazia somente a travessia de um lado para o outro da pista. “Ela seguia pela rodovia, poderia ter causado um acidente grave, inclusive com vítimas fatais, não podemos ficar imunes”.

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Portal Guaíra com informações do Jornal O Paraná
Fotos: Ricardo Rossett/Reprodução Facebook