Na manhã de hoje (13), dezenas de indígenas saíram de suas aldeias na fronteira e se deslocaram até o Bairro Jardim Zeballos, em Guaíra, onde está localizada a Coordenação Técnica da Funai.

Em movimento pacífico, os índios protestaram contra o governo do presidente interino Michel Temer, pela manutenção do Conselho Nacional de Política Indigenista e também pela demarcação de terras indígenas na região oeste do estado.

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Equipes da 2ª Cia/BPFron, bem como da Guarda Municipal, estiveram no local e acompanharam toda a manifestação.

Curitiba

Desde o início da manhã, a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Curitiba está ocupada por integrantes do movimento indígena. O ato, que conta com cerca de 20 pessoas, faz parte da mobilização nacional chamada Ocupa Funai. Não há expediente. A coordenação da Funai afirma que o movimento é pacífico e que a instituição passa por crise sem precedente.

“São várias pautas que estão sendo colocadas, são várias as situações que a política indigenista e os povos indígenas vêm enfrentando. Com essa mudança de governo, essa crise política toda, acabou afetando ainda mais, deixando bem mais problemática”, afirmou o coordenador da Articulação dos Povos Indígenas do Sul, Marciano Rodrigues.

Segundo ele, o movimento também é uma demonstração de apoio à Funai.

Entre os assuntos prioritários, de acordo com Rodrigues, está a demarcação de terras indígenas.

Ele afirma que este é um problema que não se resolve e é alvo de pressão política.

“As bancadas ruralista e evangélica se fortaleceram bastante e é onde a gente tem enfrentado maior embate por conta dos propósitos e objetivos deles de expansão agrícola”, acrescentou.

Para Rodrigues esta questão se torna ainda mais delicada no Paraná, onde o setor agropecuário tem papel de destaque na economia.

“Os povo indígenas querem que se resolva isso. No nosso pensamento, as demarcações de terra não afetam, não prejudicam, não trazem prejuízos para o segmento fundiário”.

Brasília

Indígenas de sete etnias protestaram na manhã de hoje em frente à sede da Funai, em Brasília, contra a indicação do general do Exército Franklimberg Ribeiro de Freitas para a presidência do órgão.

Por pressão do grupo, o presidente interino, Michel Temer, já havia desistido da indicação do também general da reserva Sebastião Roberto Peternelli Júnior para o cargo. Os funcionários do órgão foram liberados por causa do ato.

Os manifestantes pedem a indicação de um representante da causa indígena. Um dos líderes dos guarani-kaiowá, Natanael Vilharba diz que o governo tem “desrespeitado os índios”. “Nós nos opomos às mudanças feitas na Funai. O governo tem tentado desestruturar o órgão e a nossa luta.”

O grupo seguiu em marcha para o Ministério da Justiça no início da tarde, ocupando uma via. De acordo com a pasta, líderes foram recebidos pelo secretário-executivo, José Levi do Amaral Junior, em uma reunião às 13h.

Eles levaram documentos com denúncias de”genocidio indígena”, “impactos ambientais da usina de Belo monte” e cobranças de “promessas ainda não cumpridas pelo governo”, segundo os indígenas.

“A PEC 215 dá liberdade para os fazendeiros exterminarem nossas etnias. Estão legalizando a morte dos indígenas”, afirmou o líder guarani-kaiowá.

O ato reúne representantes de etnias pataxó, jê, xakriabá, guarani-kaiowá, javaé, karajá, e kamaiurá. Eles vieram de estados como Tocantins, Goiás e Mato Grosso. Um carro do Detran fazia a proteção do grupo em meio ao trânsito.


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Portal Guaíra com informações do G1
Fotos: Claudinha Knieling/Portal Guaíra