No final da tarde de ontem (28), por volta das 18h30, recebemos a ligação de um guairense desesperado, dando conta que uma mulher estava “dando à luz” na calçada do Hospital São Paulo. Rapidamente seguimos para o local.

Enquanto estacionávamos o carro, percebemos que varias pessoas acompanhavam atentamente a movimentação em um local ao lado do hospital, pelo visto onde ambulâncias ou carros com pacientes de emergência devem estacionar.

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Pois bem, fomos apurar o que estava acontecendo. Para nossa surpresa, uma mulher, sentada em uma cadeira de rodas, com soro no braço e gemendo de dor. Ela pedia “pelo amor de Deus” para que o parto fosse realizado, pois estava temendo por sua vida e de seu bebê.

Ânimos exaltados, pessoas se sensibilizando com a mulher – mesmo sem entender ao certo o que estava acontecendo – Policiais Militares e Civis tentando descobrir porque a mulher estaria, pelo menos aparentemente, sem receber ajuda médica e ao lado de fora do hospital.

Quanto mais o tempo passava, mais a mulher se contorcia de dor, as pessoas que se aglomeravam também reclamavam e pediam pelo médico, mas ninguém ao certo conseguia entender o que se passava.

Foi nesse momento que uma enfermeira, dotada de paciência e educação, surgiu para apaziguar o alvoroço, dizendo que o medico iria atender a mulher, mas que tivessem calma pois as informações estavam distorcidas e o médico não se negou em realizar o parto, apenas estava temendo pela vida do bebê, pois, pelo fato de ser prematuro, necessitaria de uma UTI neonatal – não disponível nos hospitais de nossa cidade.

Apesar de recebermos essa informação, nós, quanto jornalistas, devemos estar neutros e ouvir ambos os lados, para então poder contar aos nossos leitores. E foi o que fizemos, com mais calma e acompanhando os Policiais que conversavam com as enfermeiras e o medico de plantão, começamos a entender melhor a situação.

Enquanto o médico atendia os PMs, a mulher foi levada para a sala de cirurgias, e qual não foi a nossa surpresa quando, em meio o relato do doutor, este foi interrompido e avisado que o bebê estava nascendo. Rapidamente ele seguiu para a sala de cirurgias.

Mas para entender melhor, eu conversei com o pai da bebê, uma menina (ainda sem nome) que nasceu às 19h10, de parto normal e pesando 1 quilo 480 gramas.

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INICIO DAS CONTRAÇÕES

Adelcio Santana Costa, 35 anos, em entrevista exclusiva ao Portal Guaíra, contou que no domingo (27) à noite sua esposa começou a sentir um pouco de dor – nada que precisasse sair correndo de casa para o Hospital – e como instinto de mãe é poderoso, Eliandra Rodrigues dos Santos, 22 anos, já sabia que o bebê viria nesta segunda (28), mas não imaginava o tormento que seria.

Por volta das 08h30, ela ligou para o marido no trabalho e pediu que viesse busca-la pois estava sentindo muitas contrações, e seguiram para a Unidade Central de Saúde. Após algumas horas de espera, às 10h40 o casal seguiu até o Hospital São Paulo para fazer uma avaliação com Dr. Henrique que, devido à gestação não ter completado o ciclo, o bebê nasceria prematuro e necessitaria de UTI neonatal – não disponível naquela casa hospitalar ou em Guaíra.

Segundo nos contou Adelcio, às 11h30 eles já estavam novamente na Unidade Central de Saúde aguardando a liberação de um exame de ultrassom, para saber como estava o bebê, qual o período certo da gestação e se a mãe estaria em segurança em caso de encaminhamento para outra cidade – serviço rotineiro nesses casos. Mas nem o exame era liberado, nem a Eliandra era levada para o hospital São Paulo ou fora da cidade; ela continuava sendo assistida pela equipe da Unidade Central de Saúde.

Foi quando às 15h a mulher gravida foi levada pelo marido para o Hospital São Paulo,  e lá ficou esperando uma ambulância que pudesse leva-la para atendimento em outra cidade que tivesse uma UTI neonatal – essencial nos casos de parto prematuro – pois muitos bebes nascem com problemas pulmonares e necessitam desta UTI.

Quanto mais esperavam, mais as dores de contração aumentavam; marido desesperado, mulher pedindo ajuda e o nervosismo tomando conta das pessoas que estavam próximas no hospital.

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Detalhe importante não havia sido informado ao casal

Quando é solicitado um atendimento fora da cidade, é necessário aguardar que seja liberado, para então, ou virem com uma UTI Móvel buscar a paciente, ou se o município tiver uma ambulância apropriada com todos os equipamentos para garantir a integridade da mãe e do bebê, ela mesma pode fazer a remoção.

O tempo foi passando, as dores aumentando e nada da ambulância, de ajuda, de informação. Foi quando alguém viu o que estava acontecendo, ligou pro PG e nós relatamos o que aconteceu logo acima no texto.

Conclusão

Qual a impressão que ficou de tudo isso? Confesso que não sabia que as coisas funcionavam dessa maneira. Não imaginava que o risco do bebê é maior nascendo prematuramente em um local que não é o apropriado, do que continuar no ventre de sua mãe.

Graças a Deus, dos males o menor. Por volta das 21h, eu e o pai da bebê, Adelcio, saímos da sala de Elisabete Bertolino – Administradora do Hospital São Paulo, que nos forneceu todas as informações para entendermos a burocracia do sistema e por que da demora na liberação de um leito – voltamos um pouco mais aliviados, pois o pai já estava calmo, entendeu por que houve tantos contratempos, e aprendemos um pouco mais sobre as dificuldades nesse setor tão sucateado do Brasil chamado de “SAÚDE”.

Nós, do Portal Guaíra, agradecemos também o secretário de saúde, Leandro Danelon, que nos atendeu e deu todo os esclarecimentos deste episódio, e também o vereador Almir Bueno que nos ajudou a localizar as partes envolvidas.

Atualizado às 19h30

Após longa espera e devido a intervenção do Ministério Público, foi conseguido uma vaga para a bebê Vitória (o pai registrou na tarde de hoje) no Hospital Bom Jesus de Toledo. Segundo informações, o Dr. Gustavo foi acompanhando a recém-nascida. A mãe permanece em Guaíra no Hospital São Paulo.

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