[dropcap color=”#dd9933″]O[/dropcap]s prefeitos do Paraná gastaram pelo menos R$ 5,7 milhões em diárias de viagem no ano passado. Em média, cada gestor municipal gastou R$ 16,8 mil para viajar ao longo de 2012 – ou R$ 1,4 mil mensais. A diária é destinada a despesas com alimentação, hospedagem e deslocamentos. O levantamento do Jornal Gazeta do Povo, baseado em informações do Tribunal de Contas do Estado (TC), mostra ainda que os campeões de gastos são prefeitos de pequenas cidades do Paraná.

dinheiro_no_raloOs dados correspondem às despesas de 303 das 399 prefeituras paranaenses – os dados dos demais municípios não estão acessíveis ou são computados de forma diferente. São os casos de Curitiba e Londrina, em que não há diárias para prefeitos, apenas para os demais servidores.

-------------- Notícia continua após a publicidade -------------

O excesso de gastos em algumas cidades decorre do alto valor das diárias. É o caso de Guaíra, onde o prefeito tinha direito a R$ 1,2 mil por dia para despesas em viagens. O valor é quase três vezes o que recebe o governador do Paraná (R$ 460) e mais que o dobro do que tem direito um ministro de estado (R$ 581).

Segundo o levantamento, o ex-prefeito de Guaíra Manoel Kuba (PP) foi o campeão de gastos, que somaram mais de R$ 130 mil no ano, com uma média de quase R$ 11 mil ao mês. Apenas uma viagem de 15 dias do ex-prefeito, em março de 2012, que teria custado mais de R$ 18 mil aos cofres do município – mais do que o salário de Kuba, R$ 15 mil. Diante do elevado gasto, o promotor do município, Hugo Evo Magro Corrêa Urbano, recomendou em maio deste ano uma readequação na lei de diárias. Em outubro, Câmara de Guaíra aprovou a modificação nas diárias, que passaram a variar de R$ 450 a R$ 600, dependendo do destino da viagem. Procurado pela reportagem, o ex-prefeito não retornou as ligações. Já o atual prefeito de Guaíra, Fabian Vendruscolo (PT), acredita que os valores atuais são insuficientes.

Sem critérios

O promotor Cláudio Diniz, do Centro de Apoio Operacional de Proteção ao Patrimônio Público do Ministério Público do Paraná (MP), afirma que a instituição tenta coibir os abusos, mas que uma das dificuldades encontradas é a falta de critérios para estipular o valor do ressarcimento. “Observamos se há instrumentos que normatizem a verba, a comprovação e o interesse público da viagem, mas não há critérios estabelecidos”, diz.

Diniz observa ainda que, apesar de existirem casos de excesso nos gastos, a maior parte dos prefeitos advertidos pelo MP não racionaliza as despesas. “São prefeitos que recebem três ou quatro diárias por semana para o mesmo destino. Ou seja, não há uma concentração de compromissos em uma única viagem.”

Info-gráfico do Jornal Gazeta do Povo
Info-gráfico do Jornal Gazeta do Povo

Fonte: Jornal Gazeta do Povo