Um jovem de Gravataí, na Região Metropolitana de Porto Alegre, foi resgatado por policiais após ter um encontro de internet frustrado no domingo (7). Matheus de Quadros, de 18 anos, foi para São Paulo conhecer uma “namorada virtual” com quem mantinha um relacionamento pela internet havia dois anos, segundo informações da Brigada Militar.

No entanto, ao desembarcar na capital paulista, o rapaz não conseguiu mais nenhum contato com a “namorada virtual”, apesar das tentativas. Matheus chegou a ficar três noites na rodoviária sem se alimentar, por falta de dinheiro.

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“Esperei. Liguei para ela, não atendia o telefone. Liguei para ela de novo, três vezes, ela não atendeu o telefone. Aí eu fiquei lá três noites sem comer nada. Só tomando água. Foi difícil aguentar três noites lá na rodoviária”, contou.
O único vínculo familiar do jovem é a madrinha, com quem mora no RS. Sem conseguir contatá-la, Matheus lembrou de seu instrutor no Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd).

“Eu lembrei que eu tinha meu professor do Proerd. Eu acionei ele. Eu tinha o contato no meu celular, liguei para ele. Disse o que estava acontecendo. Ele disse para eu manter a calma, que ia dar certo”, relatou Matheus.

O instrutor, soldado Diogo Rafael Ávila de Moura, acionou a Polícia Militar de SP. Uma agente que também atua no Proerd encontrou Matheus, providenciando a alimentação do rapaz. Membros das duas corporações realizaram uma vaquinha para bancar a viagem de volta do jovem ao RS.

Matheus chegou na rodoviária de Porto Alegre na noite desta quarta-feira (10) e foi recebido pela guarnição da BM com um kit de boas-vindas.

“Quando eu cheguei, aqui na rodoviária, foi uma emoção muito forte”, disse.
Os agentes levaram o jovem para a casa da madrinha, que o recebeu emocionada. A Brigada Militar ainda afirmou que a equipe do Proerd conseguiu um emprego para Matheus em um supermercado de Gravataí.

Alerta contra golpes
O caso vivido por Matheus serve de alerta para golpes praticados via internet. Especialistas e autoridades apontam que é preciso ficar atento ao trocar mensagens com desconhecidos.

O professor de Ciências da Computação da PUCRS Avelino Zorzo explica que o comportamento online deve ser semelhante ao do cotidiano.

“O comportamento não pode ser muito diferente daquele comportamento que nós já temos no mundo físico. Nós não entramos em qualquer rua. Nós não entramos em qualquer estabelecimento. Nós não conversamos com qualquer pessoa na rua. E o comportamento no mundo virtual, na internet, deveria ser similar”, orientou.

O especialista detalha como esse tipo de mensagem pode ser identificado.

“É muito comum a gente receber uma mensagem de alguém se passando por outra pessoa. Às vezes, até a foto é da pessoa. Mas se a gente prestar atenção, essas mensagens vão ser curtas, elas vão ser mensagens pedindo para agir de uma maneira rápida. Então a gente tem que tomar cuidado e tentar verificar se aquilo é verdadeiro ou não é”, observou Zorzo.

O delegado Alexandre Luiz Fleck, da Polícia Civil do RS, explica que são cada vez mais comuns golpes de pessoas que tentam criar uma relação online para pedir fotos íntimas e extorquir as vítimas, ameaçando expor as conversas.

“É o clássico estelionato. Ele só é aplicado utilizando-se de tecnologia, de Facebook, de WhatsApp. Mas é o estelionato clássico, quando eles se aproveitam, às vezes da ingenuidade, às vezes do desespero, às vezes do olho grande da vítima para tentar obter uma vantagem financeira”, disse.

A orientação para quem caiu ou acha que está sendo alvo de um golpe é procurar as autoridades.

“Desconfiou? Procura a polícia. A gente vai poder avaliar se realmente se trata de um golpe ou não”, afirmou o delegado.

Equipe da Polícia Militar que resgatou Matheus em São Paulo — Foto: PM/Divulgação

Portal Guaíra com informações do G1