Nicole Maria Ferreira Costa, de 20 anos, que foi acusada de matar o namorado com uma agulha de narguilé, disse que agiu em legítima defesa para se defender das agressões que sofria do companheiro. Em entrevista, ela relata o que aconteceu no dia da morte de Adailton Gomes Abreu, de 24 anos, na casa dela, em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

“Ele pegou no meu pescoço e me empurrou para um canto entre o guarda-roupa e a parede e começou a me bater. Eu gritei minha mãe e ele se afastou. Depois, voltou a me bater e falou que ia me matar”, contou.

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Adailton morreu no dia 18 de setembro do ano passado, na casa de Nicole, no Residencial Village Garavelo. No dia 3 de maio deste ano, a Justiça aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público e acusou a jovem de homicídio duplamente qualificado. O julgamento do caso está previsto para acontecer no dia 20 de setembro de 2021. Ela responde em liberdade.

Durante todo o processo, Nicole preferiu não se pronunciar sobre o ocorrido. No entanto, nesta segunda-feira (16), ela afirmou que decidiu falar pela primeira vez porque quer provar que agiu em legítima defesa e que não tinha a intenção de causar a morte do namorado.

“Quando eu tive a reação de acertá-lo, eu tampei o rosto e achei que aquilo não iria afastá-lo. Eu achei que ele continuaria me batendo e que eu iria morrer. Mas, ele colocou as duas mãos no peito e caiu”, contou Nicole.

Em nota, o Ministério Público confirmou que Nicole apresentou a tese da legítima defesa e afirmou que quando a vítima veio para cima dela ela arremessou objetos que estavam próximos, oportunidade em que atingiu a vítima. O MP disse ainda que o laudo de exame cadavérico concluiu que a vítima não tinha sinais de defesa ou luta

A nota do Ministério Público disse ainda que a agulha perfurou 19 centímetros e foi necessário o uso de “grande força”, o que é incompatível com a versão narrada. “O instrumento perfurou a língua e o coração, vencendo obstáculos como a vestimenta e musculatura de parede torácica”, escreveu.

Relação tumultuada
Adailton e Nicole se relacionaram por dois anos e, segundo a jovem, o namoro durante este período foi marcado por términos e discussões. No dia do corrido, os dois estavam voltando de um feira quando, de acordo com Nicole, eles começaram a brigar porque o namorado estava com ciúmes.

“Ele me ameaçava bastante. A gente só tinha um relacionamento porque eu tinha medo dele (..). No dia da briga, eu estava com medo. Eu não sei o que eu peguei, eu só queria que ele se afastasse. Nunca quis a morte dele”, afirmou.

Investigação
De acordo com as investigação, inicialmente, havia a suspeita de que Adailton teria passado mal e sofrido um infarto. Depois, a equipe notou a perfuração com a agulha, a qual é usada para furar o papel alumínio que encobre o carvão e, assim, ocorrer a liberação de calor para aquecer a essência do narguilé.

Ele foi atingido no coração. “A lesão foi única, certeira e fatal. Ele agonizou por pouco tempo e depois já veio a óbito”, disse o delegado Eduardo Rodovalho.

A Polícia Civil concluiu o inquérito em 24 de novembro do ano passado e indiciou Nicole. Ao analisar o processo, o Ministério Público entendeu que era necessário o depoimento das irmãs do jovem morto, que foram ouvidas pelo delegado no dia 22 de abril deste ano. No entanto, elas estavam do lado de fora da casa quando o crime aconteceu e o relato delas não mudou a conclusão policial.

Na época do crime, o delegado explicou que não foi pedida a prisão de Nicole por entender que não havia os requisitos determinados pela lei, pois ela se apresentou após o homicídio e estava colaborando com as investigações. A polícia descartou a presença de outra pessoa dentro da casa e a participação mais alguém no crime.

Portal Guaíra com informações do G1