A insatisfação contra a medida de tolerância zero em vigor no Paraguai motivou o segundo protesto em 10 dias na Ponte Internacional da Amizade, em Cidade do Leste, localizada na fronteira com o Brasil. Ontem (27), os paseros – transportadores de mercadorias – bloquearam novamente o trânsito no lado paraguaio da ponte. O tráfego ficou comprometido das 7h30 até pouco antes das 13h. No entanto, mesmo depois da pista liberada, foram registradas filas quilométricas no local.

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Desta vez, o protesto ganhou também o apoio de brasileiros que são contrários às intensas fiscalizações dos últimos dias. Segundo os sacoleiros e mototaxistas que aderiram às reivindicações e fecharam o lado brasileiro da ponte, em Foz do Iguaçu, as operações feitas pela Receita Federal, Exército e Polícia Federal têm causado um enorme prejuízo ao comércio, uma vez que diminuiu drasticamente o movimento de compristas. Os trabalhos em questão são as ações Fronteira Blindada e Ágata Sete, que, juntas, têm coibido o contrabando na região fronteiriça.

Conforme informações da Polícia Federal, com o bloqueio do trânsito de veículos na ponte, que durou mais de seis horas, houve filas e bastante tumulto na fronteira. No auge do caos, o congestionamento na BR-277 sentido Paraguai passava de dois quilômetros.

Essa não é a primeira manifestação contra a chamada tolerância zero, assinada pelo presidente do Paraguai, Federico Franco. No último dia 17, os paraguaios já haviam fechado a ponte. As reivindicações eram as mesmas que ocorreram ontem. Os manifestantes exigem que a cota mensal de isenção para a importação, por pessoa, chamada pacotilha, passe dos atuais US$ 150 para US$ 1000. Eles reivindicam ainda que o governo flexibilize, nas regiões de fronteira, a lista de produtos autorizados a entrar no país em pequenas quantidades, uma que esse grupo de pessoas compra verduras e legumes em Foz do Iguaçu para revender no Paraguai.

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Protesto vai continuar

O protesto na Ponte Internacional da Amizade, segundo os organizadores, vai durar até que o governo paraguaio se posicione sobre as reivindicações. Uma comissão representando os paseros de várias regiões do Paraguai deve se reunir em Assunção com o presidente eleito Horácio Cartes nos próximos dias.

Fonte: Rádio Cultura de Foz