O chanceler paraguaio, Antonio Rivas Palacios, disse esperar que até o final da próxima semana, Brasil e Paraguai cheguem a um acordo para a situação das fronteiras. “As negociações estão muito avançadas”, disse. As informações são do Portal H2Foz.

Este acordo envolveria duas medidas, uma específica para Ciudad del Este-Foz do Iguaçu, e outra para as fronteiras de Pedro Juan Caballero-Ponta Porã e Salto del Guairá-Mundo Novo, informa o jornal La Clave.

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Para essas fronteiras terrestres, o sistema poderá ser similar ao que foi testado em Pedro Juan Caballero, com compras pela internet e entrega dos produtos aos compradores brasileiros em postos específicos.

Para a Ponte da Amizade, a ideia é reabrir para permitir a passagem de um lado a outro, sob rígidos controles sanitários.

Mas… e no caso do Paraguai, sempre tem um mas, o chanceler disse que “as negociações e conversas já vêm ocorrendo há semanas com as autoridades brasileiras. Os colegas brasileiros estão respondendo, mas nós temos (que levar) em conta a situação epidemiológica e econômica da fronteira”.

É mais ou menos essa a posição do Paraguai: queremos abrir a fronteira pra reativar a economia, mas temos medo. Normal, mas fica meio difícil negociar assim.

Protocolos estão prontos

O jornal Hoy informa, por sua vez, que o governo de Alto Paraná (cuja capital é Ciudad del Este) já tem pronto um protocolo para o funcionamento da Ponte da Amizade.

Veja os pontos:

1- Estabelecer o horário das 5h às 18h para ingresso e saída de Ciudad del Este.

2- Montar um posto de controle sanitário na cabeceira da ponte, constituído por pessoal médico e militares, para controlar quem entra e sai.

3- Elaborar um registro das pessoas que se mobilizam pela Ponte da Amizadae, incluindo todos os dados particulares de cada uma delas. Para isso, poderia ser criada uma plataforma digital específica.

Dentro do plano também se menciona o exame médico, que contempla o controle da temperatura e um teste de olfato, e a exigência de equipamentos de proteção individual.

As pessoas que cumprirem todas as exigências teriam uma “aprovação”, que seria emitida pelas autoridades locais, além de receber um “passe” para mover-se dentro de Ciudad del Este. O documento incluirá: dados de filiação da pessoa, data e horário de ingresso e motivo da visita.

À hora de deixar o Paraguai, o visitante voltará a apresentar seu passe no posto de controle sanitário, a fim de corroborar todos os dados novamente. Sua saída do país passará a constar do sistema.

Outro projeto apresentado pelo governo de Alto Paraná é de uma “área de livre circulação” (também chamada de área de alto risco), definida num perímetro determinado de Ciudad del Este.

Paralelamente, será criado um cordão sanitário, resguardado por efetivos militares, em pontos estratégicos de Ciudad del este, para evitar que as pessoas entrem e saiam da “área de alto risco”, isto é, que se limitem à região definida e não haja risco de contaminarem a população local.

No caso de se detectar que alguém entrou pela Ponte da Amizade e não registrou sua saída do Paraguai, serão notificados o Ministério Público e a Polícia Nacional, para ser procurado e feita sua expulsão.

Divididos

Não são apenas as autoridades paraguaias que estão indecisas ou divididas sobre o assunto. Nos comentários de leitores, nas seções on line dos jornais do país, percebe-se também que há muita gente contrária à reabertura das fronteiras.

“Vão nos contaminar a todos”, disse um leitor. Outro: “Vão morrer como baratas” (referindo-se aos moradores de Ciudad del Este). Um terceiro só diz: “Palhaçada!!!”

Deduz-se que os que criticam são de outras cidades que não de fronteira. Há muitos defensores, mas estes, na grande maioria, ou moram na fronteira ou entendem que a situação não pode perdurar indefinidamente.

O portão colocado no acesso a Ciudad del Este pode virar um ponto de controle de quem entra. Mas melhorando esta aparência bruta. (Foto: Marinha do Paraguai)
O portão colocado no acesso a Ciudad del Este pode virar um ponto de controle de quem entra. Mas melhorando esta aparência bruta. (Foto: Marinha do Paraguai)

As informações são do Portal H2Foz