A Polícia Federal deflagrou a operação ‘Boi Viajante’ contra suspeitos de trazer de forma clandestina cerca de 5,7 mil cabeças de gado da Argentina para o Brasil. Ninguém foi preso.

Foram cumpridos na quinta-feira (7) 11 mandados de busca e apreensão em Barracão, Bom Jesus do Sul, Santo Antônio do Sudoeste, na região sudoeste do Paraná e Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina.

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Segundo a polícia, as propriedades onde foram cumpridos os mandados ficam na fronteira entre os dois países e eram divididas apenas por uma cerca simples por onde era feita a movimentação dos animais de um país para o outro.

Conforme a polícia, em quase dois anos de investigação, com o apoio da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), foram identificados cinco criadores de gado envolvidos no esquema.

Segundo a PF eles traziam os animais clandestinamente da Argentina para o sudoeste do Paraná e os revendiam para compradores no Norte e Noroeste do estado. O grupo faturou cerca de R$14,2 milhões, segundo a investigação.

Só um dos presos, apontado pela PF como chefe da quadrilha, teria movimentado aproximadamente 4,5 mil cabeças neste período.

Início das investigações
A emissão de muitas Guias de Trânsito Animal (GTA) chamaram a atenção da fiscalização da Adapar em 2019 e a partir disso é que foi iniciada a investigação, segundo a PF.

Conforme a investigação, o grupo criou um sistema em que se simulava a aquisição de gado de outras regiões do Paraná, como se viessem para a propriedades deles. Com isso, poderiam expedir a GTA para a mesma quantidade de animais que traziam da Argentina.

O documento é necessário para movimentação interestadual de animais vivos, ovos férteis e outros materiais de multiplicação animal, além de transporte interestadual ou intraestadual de animais vivos destinados ao abate em estabelecimento sob Inspeção Federal (SIF).

Além disso, o grupo simulava o nascimento de animais. Em uma das propriedades, o dono chegou a declarar que no período de apenas 2 meses nasceram 50 bezerros. Nos 4 anos anteriores, não havia ocorrido nenhum nascimento em um rebanho com aproximadamente 50% de animais fêmea.

Os criadores de gado são investigados por contrabando, associação criminosa, falsidade ideológica e infração de medida sanitária preventiva.

De acordo com a Adapar, o contrabando de animais representa um grande risco para o status sanitário do Paraná que recentemente se tornou livre de febre aftosa sem vacinação.

Portal Guaíra com informações do G1