Quem optar em atravessar de carro, moto ou van, deverá ter muita paciência (fotos: Aílton Santos/O Paraná)
Quem optar em atravessar de carro, moto ou van, deverá ter muita paciência (fotos: Aílton Santos/O Paraná)

Agora é oficial: a Ponte Internacional da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, está em obras. Ontem (19), operários do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte) iniciaram os trabalhos que devem durar por até cinco meses.

Por conta das obras, que visam dar mais segurança aos cidadãos, o trânsito, que naturalmente já é lento, está ainda mais caótico, visto que está liberada apenas meia pista para os veículos. Filas de mais de cinco quilômetros já foram registradas.

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Diante dessa situação, os que mais estão sentindo os efeitos da lentidão do tráfego são os mototaxistas. Os profissionais temem prejuízos, uma vez que por causa da morosidade do trânsito o número de corridas acaba sendo reduzido. A alternativa que eles encontraram para driblar o problema vai afetar o bolso dos clientes. “A maneira de não sair perdendo é a de aumentar o preço da corrida. Antes cobrava R$ 5 para fazer a travessia e agora vou cobrar R$ 10. O problema é que antes das obras eu fazia a corrida em sete minutos, agora levo no mínimo meia hora. Isso acaba afetando os negócios”, explica o mototaxista Marco Martinez. Os serviços chegam a ser oferecidos por até R$ 15 pelos mototaxistas.

A demora ocorre em ambos os lados da ponte, seja brasileiro ou paraguaio. A liberação do trânsito ocorre de forma intercalada, de cada sentido da ponte, a cada cinco minutos, informa o Dnit. Porém, os profissionais acreditam que o tempo seja maior. “É bem mais que isso, pois quando é liberado é como se abrissem a porteira. Então, até desafogar o trânsito leva muito mais tempo. Daí quando eu chego do outro lado, tenho que esperar abrir o tráfego novamente. É claro que teremos prejuízo”, comenta o mototaxista Pascoal Ramirez.

Durante a revitalização, motos e automóveis terão o trânsito liberado durante todo o dia. O controle é feito por meio de dois semáforos, um na cabeceira da Ponte no lado brasileiro e outro no lado paraguaio, liberando um lado do trânsito por vez.

Com a obra, será refeita metade do pavimento da Ponte Internacional da Amizade e substituída a proteção das juntas de dilatação, algo já considerado de extrema importância para garantir a segurança da travessia internacional.

HORÁRIOS

Para motos e carros de segunda a sábado, das 6h às 20h serão cinco minutos para cada lado. Das 20h às 00h tempo de 20 minutos sentido Brasil/Paraguai e 10 minutos sentido Paraguai/Brasil. Das 0h às 6h sentido Brasil/Paraguai tempo de cinco minutos e Paraguai/Brasil 25 minutos.

Os caminhões, no entanto, só poderão cruzar a fronteira em direção ao Paraguai das 20h até a 1h. A entrada no Brasil será feita da 1h até as 6h. Os veículos de carga serão liberados em lotes, de acordo com a capacidade de fiscalização e recepção de cada aduana. E, nos fins de semana – das 18h de sábado às 7h de segunda – poderão circular sem restrições.

Preferência é por travessia a pé

Em função do congestionamento de ambos os lados da Ponte Internacional da Amizade e em função do aumento no preço da travessia por taxistas e mototaxistas, os condutores estão preferindo deixar os carros estacionados e fazer a travessia na fronteira a pé.

A estudante Lilian Moreira enfrentou o calor escaldante da região e optou por essa opção. Porém, a decisão cobrou seu preço. “Parecia ser o mais rápido, mas atravessar a ponte com mercadoria, ainda mais neste calor, é, no mínimo, exaustivo. No entanto, senão tivesse feito isso, provavelmente ainda estaria esperando para atravessar. A fila é muito grande”, comenta.

A dona de casa Ana Aparecida dos Santos foi umas das compristas que engrossou a fila dos pedestres. “Eu entendo que as obras sejam o melhor para a comunidade, afinal é uma questão de segurança, mas confesso que tem que ter muita paciência e vontade de fazer compras para esperar nesse trânsito. Eu desisti do carro e fiz como a maioria troquei o volante pela caminhada”, observa.

Ciudade Del Leste, cidade que faz fronteira com Foz do Iguaçu, é um dos maiores centro de compras do mundo, o que atrai diariamente milhares de turistas. Calcula-se que pelo local passem cerca de 40 mil veículos e 20 mil pedestres diariamente.

Em função do trânsito lento na meia pista, fluxo de pedestres fazendo a travessia é intensificado (fotos: Aílton Santos/O Paraná)
Em função do trânsito lento na meia pista, fluxo de pedestres fazendo a travessia é intensificado (fotos: Aílton Santos/O Paraná)

Portal Guaíra com informações do Jornal O Paraná
Fotos: Aílton Santos/O Paraná