A Ferroeste foi originalmente construída para ter uma capacidade final de transporte de 20 milhões de toneladas por ano. Mas jamais, em 20 anos de operação, ela sequer esteve perto dessa marca. O mais próximo ocorreu há cerca de oito anos, quando ela chegou a transportar 1,9 milhão de toneladas em um único ano, mesmo assim 10% daquilo para o qual foi projetada. Mas a situação só tem piorado e neste exercício a tendência é de que se repita o número do ano passado, quando foram locomovidas 800 mil toneladas, menos de 5% daquilo que a ferrovia, de fato, poderia transportar.

Dois fatores principais explicam o problema, de acordo com o presidente da Ferroeste, João Vicente Bresolin Araújo: o gargalo ferroviário entre Guarapuava e a região Sul do Estado e o desinteresse da concessionária de linhas ferroviárias, ALL (América Latina Logística) em atender a região Oeste do Paraná. Em 20 anos, devido a esses e a outros problemas a ferrovia acumula prejuízos e não cumpre com a sua função essencial: transportar as riquezas produzidas no Oeste, o celeiro do Paraná, de forma ágil e com frete acessível.

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Terminal da empresa, em Cascavel, tem capacidade para abastecer 500 vagões por dia, mas
número médio é de 25 devido às limitações impostas à empresa. Ferrovia está em atividade há 20 anos

Estudo encomendado pela Coopavel apontou  que, devido às deficiências logísticas, a região perde em transporte o equivalente a R$ 100 milhões por ano – apenas com commodities. Devido à constatação de que a ALL não tem mesmo interesse em atender o Oeste, a nova diretoria da Ferroeste decidiu agir e mudar de tática. Em 2013, segundo João Vicente, a empresa vai priorizar o transporte ferroviário pelo trecho em que detém a concessão, nos 248 quilômetros entre Cascavel e Guarapuava.

O presidente tem conversado com potenciais parceiros que dariam continuidade ao transporte de cargas por caminhões. O atrativo principal é tornar o valor, no trecho da ferrovia, compensador aos transportadores. Com isso, o volume locomovido cresceria e, em vez de acumular em média R$ 150 mil de prejuízo por mês, a Ferroeste passaria a operar no azul. Aos poucos, ela reunirá fôlego para aumentar o seu material rodante, outro aspecto fundamental para que o volume de produtos em circulação aumente. Há alguns meses em encontro com líderes do Oeste, o diretor da Brado Logística, José Luiz Demeterco Neto, disse que a ALL procura fazer o melhor para atender a região.

Nove horas

A possibilidade de aumento de movimentação de carga é resultado também de trabalhos de manutenção na via férrea iniciados à época em que o presidente da Ferroeste era Maurício Querino Theodoro. A primeira consequência foi reduzir de 16 para 9 horas o tempo de percurso entre Cascavel e Guarapuava. O terminal, na BR-277 na saída para Curitiba, é considerado um dos melhores do Sul do País, com capacidade para carregar até 500 vagões por dia, mas em razão de uma série de limitações, alheias à vontade dos diretores da estrada de ferro, a média tem ficado em apenas 25. Outro dos desafios da Ferroeste, que também estava previsto desde o início de operações da empresa, é a composição de um Conselho de Clientes. Se depender da vontade do novo presidente João Vicente Bresolin Araújo, o órgão será criado o mais brevemente possível. Outro projeto para o ano que vem é licitar uma área de 40 hectares, em seu complexo em Cascavel, para a instalação de terminais de grãos, combustíveis e contêineres. Somente essa operação vai injetar R$ 6 milhões nos cofres da empresa.

Fonte: Jean Paterno – O Paraná