Pelo menos 3.200 funcionários do setor de bares, restaurantes e casas noturnas perderam os próprios empregos nos últimos 15 dias no Paraná, em razão da crise do novo coronavírus, segundo a associação que representa a categoria, Abrabar.

Bares e restaurantes foram fechados ou tiveram as atividades limitadas em diversas cidades do estado por causa da Covid-19. Em todo o Paraná, até o fim da tarde de quinta-feira (2), 258 casos da doença foram confirmados pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

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O presidente da associação, Fabio Aguayo, disse que as empresas do setor estão entrando em colapso financeiro por causa da crise.

Além disso, segundo ele, alguns estabelecimentos enfrentam dificuldades, como o repasse de dinheiro das operadoras de cartão de crédito e, até mesmo, da cobrança de aluguel de imóveis.

“É uma situação tão delicada que não está existindo solidariedade. Tem pessoas que só querem ganhar. Como é que uma categoria que tá parada metade do mês vai ter dinheiro para pagar aluguel? Nós já estamos no colapso”, afirmou.

Aguayo disse ainda que o número de demissões só não é maior porque muitos funcionários estão em férias coletivas. São entre 10 mil e 12 mil trabalhadores, segundo o presidente.

Atualmente, segundo a associação, o setor tem 12 mil estabelecimentos com 37 atividades econômicas, que representam 20% do Produto Interno Bruto (PIB) de Curitiba e 6% do estado.

Madero
O Grupo Madero adiou a expansão de negócios prevista para 2020 e demitiu 600 funcionários, segundo o vice-presidente de operações da empresa, Rafael Mello.

Durante a crise em virtude da pandemia do novo coronavírus, Mello disse que empresa optou por não renovar alguns contratos.

“Infelizmente devido ao momento crítico que o país e mundo vêm passando teremos que segurar a expansão prevista até o final do ano”, afirmou.

Os contratos não renovados são de funcionários que estavam em treinamento ou experiência, segundo a Abrabar.

O Grupo Madero foi fundado em 2005 e possui 190 restaurantes em 70 cidades brasileiras.

Proposta de reabertura
A Abrabar disse que vai propor ao Governo do Paraná e à Prefeitura de Curitiba que as atividades do setor sejam retomadas gradualmente a partir de 10 de abril.

Segundo a associação, o ofício que será enviado ao governo propõe a redução da capacidade de atendimento, seguindo recomendações para evitar o contágio da Covid-19.

Acordo coletivo
Em virtude da crise, Aguayo disse que a categoria irá enviar ao sindicado dos trabalhadores um termo aditivo emergencial de convenção coletiva.

Entre as medidas previstas está a ajuda compensatória mensal de funcionários que não se enquadram na Medida Provisória do Governo Federal, que permite a suspensão de contratos de trabalho ou a redução salarial e de jornada.

Por outro lado, o acordo também prevê o pagamento de rescisões em até seis parcelas por parte dos empregadores em caso de demissão sem justa causa.

Outra medida prevista é a suspensão do reajuste salarial por 180 dias.

O G1 não conseguiu contato com o Sindicato dos Trabalhadores no Comércio Hoteleiro, Meios de Hospedagem e Gastronomia de Curitiba (Sindehotéis).

Portal Guaíra com informações do G1