Enquanto os imponentes estádios da Copa do Mundo sugam cerca de R$ 10 bilhões dos cofres públicos, municípios e regiões pelo País pagam o preço pelo descontrole e pela falta de planejamento de um governo cheio de vícios. É que para abrir crédito suplementar de R$ 924,3 milhões a quatro ministérios, o Governo Dilma Rousseff acaba de anunciar o corte de investimentos de várias obras.

O Oeste do Paraná “foi contemplado” com o cancelamento de dois projetos considerados estratégicos e há muito aguardados, a segunda ponte entre Brasil e Paraguai e as obras de readequação da BR-163 entre Cascavel e Guaíra, que passa por Marechal Cândido Rondon.

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A manobra do governo federal pretende beneficiar, com crédito suplementar, os ministérios de Minas e Energia, dos Transportes, da Integração Nacional e das Cidades. A justificativa no documento que leva os nomes da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e da presidente Dilma Rousseff, é que a suplementação é necessária para atender à programação constante.

Publicadas no Diário Oficial da União de terça-feira (25), as ordens de anulação de dotações orçamentárias pegaram líderes e moradores do Oeste de surpresa. O cancelamento das obras, que deveriam iniciar ainda neste ano é considerado mais um golpe a uma das regiões que mais trabalham e produzem no País, mas que nem de longe recebe a atenção e o retorno que merece e precisa para se desenvolver.

A distinção de tratamento é percebida com a atenção que outras regiões recebem, inclusive do Paraná. É o caso da de Maringá que, mesmo com débito público, teve as obras do seu contorno rodoviário orçadas em R$ 43,9 milhões preservadas mesmo diante da “degola” de investimentos que o governo federal agora insiste em fazer.

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BR 163

A BR-163 é uma das principais artérias de ligação entre os estados do Sul com os do Centro-Oeste e Norte do Brasil. Alguns dos trechos mais críticos estão no Oeste do Paraná – entre Toledo e Guaíra e de Cascavel a Capitão Leônidas Marques. O percurso cancelado é entre Cascavel em direção a Guaíra, no valor de R$ 12,5 milhões.

Algumas obras entre Marechal Cândido Rondon e Guaíra estão em fase final e foram duramente questionadas. Orçadas em R$ 115 milhões, elas competem à Delta, construtora envolvida em escândalos associados ao contraventor Carlinhos Cachoeira.

São reparos, alguns pontos de terceiras pistas e duplicação de um trecho inferior a cinco quilômetros. O valor é considerado elevado demais para as obras que a Delta teria de fazer. O prazo final para as melhorias expirou em 15 de junho, mesmo assim alguns consertos ainda são feitos devido a problemas verificados antes mesmo da conclusão.

Agora sem recursos para novas adequações, uma das rodovias mais movimentadas do Oeste exigirá ainda mais cuidado, paciência e sorte dos que por ela trafegam.

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Fonte: O Paraná
Fotos: O presente