[dropcap color=”#81d742″]O[/dropcap] governo do Estado confirmou na segunda-feira (16) ter firmado um acordo com movimentos sociais para que barracas do acampamento em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas proximidades da Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, comecem a ser desmontadas. Uma reunião foi realizada na manhã desta segunda para discutir formas de cumprimento do interdito proibitório, determinado pela Justiça Estadual. Os manifestantes, no entanto, devem manter as tendas institucionais que servem de suporte para atos públicos que pretendem continuar realizando no local. A organização do acampamento concordou em mudar as barracas para um terreno particular que deve ser alugado.

A prefeitura ofereceu uma área do Parque Atuba, a 3 quilômetros da sede da PF, mas os integrantes do movimento recusaram a oferta por causa da distância. O endereço do terreno para onde parte das barracas será levada ainda não foi divulgado. (Leia abaixo os termos do acordo e a nota do movimento).

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A 3ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba determinou multa diária de R$ 500 mil pelo descumprimento do interdito proibitório concedido à Procuradoria-Geral do Município (PGM), desde a última sexta-feira (13). Um oficial de Justiça esteve no acampamento, mas não encontrou dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), citados na ação. Também são réus, mas não integram o ato no Santa Cândida, o Movimento Curitiba Contra Corrupção; Movimento Brasil Livre (MBL) e Movimento UFPR Livre.

De acordo com o governo, a prioridade é manter o diálogo construído com as lideranças dos movimentos sociais. Representantes do Estado não falam na possibilidade de uso de força policial para realização de despejo.

Ao lado da governadora Cida Borghetti (PP), em evento no Palácio Iguaçu, o secretário de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Julio Reis, descartou ação policial. “Estamos mantendo o diálogo para que seja proveitoso a todos, para que se cumpra integralmente a ordem judicial e também seja garantido o direito à manifestação. A gente garante, alias, e respeita o direito de manifestação deles, que está também sendo objeto desses debates, e eles começam, pelo diálogo que foi feito, a desmontar o acampamento. Claro que com eventuais apoios até do município, do próprio governo do Estado, com relação a esses deslocamentos, mas também em respeito às pessoas que moram naquele entorno e que estão tendo alguma dificuldade em razão daquelas manifestações”, lembra.

Um grupo de moradores do bairro já teria registrado cerca de 20 boletins de ocorrência no 4º Distrito Policial, no bairro Boa Vista. Júlio Reis afirma que a polícia tenta evitar conflitos. “Importante lebrar que a Polícia Militar, desde o início tem agido com muita responsabilidade, desde a chegada do ex-presidente aqui em Curitiba, evitando eventuais confrontos, e também garantindo o funcionamento da Polícia Federal. Existe uma determinação para que não haja acampamentos. Quando chegou essa determinação, já existia algumas pessoas acampadas; nós estamos cumprindo o interdito com relação ao funcionamento integral da Polícia Federal e os demais órgãos e estamos dialogando agora com esses movimentos para que eles cumpram integralmente essa decisão”, afirma.

Realizada sem anúncio, a reunião com lideranças de movimentos que integram o acampamento pró-Lula também controu com mediação de membros do Ministério Público (MP), da PM, prefeitura e da Procuradoria-geral do Município (PGM). “Várias pessoas têm sentado à mesa, quer seja de um lado a Polícia Militar, Prefeitura Municipal, Secretaria de Segurança, o Ministério Público, e também algumas lideranças que fazem lá essas manifestações. Temos também a Procuradoria do Município que fez as gestões no Judiciário”, conta o secretário.

Portal Guaíra com informações do Bem Paraná